Hábitos de consumo impulsionam endividamento; especialistas alertam para uso excessivo de crédito
O parcelamento de compras cotidianas em supermercados, farmácias e postos de combustível se tornou uma prática cada vez mais comum entre os brasileiros, mas economistas alertam que esse comportamento pode ser um caminho perigoso para o endividamento crônico. Ao usar o crédito como complemento de renda para despesas do dia a dia, o consumidor acaba comprometendo o orçamento futuro e, frequentemente, recorre a modalidades com juros altíssimos, como o cheque especial ou o rotativo do cartão de crédito.
Segundo a Serasa Experian, 81,7 milhões de pessoas no Brasil estão inadimplentes. O Banco Central apontou que, em março de 2026, o volume de dívidas em atraso das famílias no sistema financeiro chegava a R$ 238,5 bilhões — equivalente a 5,3% do total de crédito concedido. Desses devedores, 78% recebem até dois salários mínimos, o que os coloca em posição vulnerável, pois têm acesso apenas a crédito mais caro por não possuírem vínculo empregatício formal.
Especialistas da FGV, do Dieese e de consultorias financeiras apontam que a raiz do problema está na falta de educação financeira e no que chamam de "ansiedade de consumo" — a tendência de antecipar gastos por impulso, estimulada pela publicidade e pelos influenciadores digitais. A recomendação é tratar o limite do cartão como instrumento de conveniência, não como extensão da renda, e verificar sempre o custo real do crédito antes de assumir qualquer parcela.