Ucrânia cobra US$ 57 bilhões da Rússia por prejuízos na agricultura
Reivindicação ambiental soma R$ 295,9 bilhões após invasão; país era um dos maiores exportadores de grãos do mundo

A Ucrânia anunciou nesta semana uma indenização de US$ 57 bilhões (R$ 295,9 bilhões) contra a Rússia, alegando danos ambientais irreversíveis à sua agricultura provocados pela invasão iniciada em 2022. O valor será cobrado por meio de processos judiciais internacionais, segundo informações da revista *Forbes*, que teve acesso ao documento. A reivindicação não se limita a perdas econômicas, mas abrange a degradação de terras férteis, poluição de aquíferos e a destruição de infraestrutura rural em regiões como Donbass e Kherson, áreas intensamente afetadas pelo conflito.
O setor agropecuário ucraniano, que antes da guerra respondia por cerca de 10% das exportações globais de trigo, 15% de milho e 50% de óleo de girassol, entrou em colapso parcial. Dados da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) mostram que, em 2023, a produção de grãos caiu 30% em comparação ao ano anterior. A guerra interrompeu rotas de escoamento, bloqueou portos no Mar Negro e deixou milhões de hectares de terra inutilizáveis devido a minas e contaminação por explosivos. Em 2022, a Ucrânia exportou apenas metade do volume de grãos que costumava enviar antes do conflito, segundo a FAO.
A reivindicação de US$ 57 bilhões foi calculada com base em relatórios de organizações ambientais e econômicas, incluindo perdas diretas em colheitas e danos indiretos, como o aumento do custo de produção em áreas ainda sob controle ucraniano. Documentos judiciais citados pela *Forbes* detalham casos como o da região de Zaporíjia, onde a ocupação russa danificou irrigação e contaminou solos com metais pesados. A Ucrânia também alega que a Rússia desviou recursos naturais, como água e energia, de territórios ocupados para uso próprio.
O processo deve ser apresentado em cortes internacionais nos próximos meses, com a Ucrânia buscando apoio de países parceiros e organizações como a União Europeia. Especialistas ouvidos pela *Forbes* afirmam que a indenização, se aprovada, poderia ser uma das maiores já cobradas por danos ambientais em um conflito armado. No entanto, a Rússia já declarou que não reconhece a jurisdição de tribunais estrangeiros sobre o caso, o que deve prolongar a disputa legal por anos.
Enquanto isso, agricultores ucranianos tentam se adaptar. Em uma fazenda perto de Kiev, o produtor Ivan Petrov, 42 anos, conta que reduziu a área plantada pela metade desde 2022. "Antes, exportávamos para 50 países. Agora, só conseguimos vender para vizinhos da Europa", diz. A queda na produção também afeta países dependentes das importações ucranianas, como Egito e Líbano, que viram preços de alimentos subirem até 40% desde o início da guerra.
A Ucrânia ainda não detalhou como os recursos serão usados, mas fontes próximas ao governo sugerem que parte do dinheiro poderia financiar a reconstrução de silos, recuperação de terras e substituição de maquinário danificado. O Ministério da Agricultura ucraniano não respondeu a pedidos de entrevista sobre o tema.