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Grupo no Iêmen usou IA da Anthropic para armas

Relatório divulgado pela Anthropic nesta quinta-feira revelou uso do Claude por uma célula no norte do Iêmen em três projetos militares.

📝 Redação CCN11 de setembro de 2026 às 13:00👁 9 leituras
Grupo no Iêmen usou IA da Anthropic para armas

Uma célula baseada no norte do Iêmen usou o Claude, inteligência artificial da empresa americana Anthropic, para tentar desenvolver armas teleguiadas. O caso foi revelado em um relatório divulgado pela companhia na quinta-feira, dia 10, e inclui três iniciativas militares associadas ao uso da ferramenta.

A empresa informou que identificou três programas conduzidos com apoio da IA: um foguete guiado, um míssil balístico com alcance superior a 2 mil quilômetros e um terceiro projeto com um tipo de planador hipersônico. No material, a Anthropic afirma que a célula recorreu ao Claude para substituir uma equipe de engenheiros especializados em software de orientação, navegação e controle de armamentos.

O episódio chama atenção porque mostra uma nova frente de risco no uso de inteligência artificial. Em vez de atuar só em áreas tradicionais de fraude, propaganda ou invasões digitais, a ferramenta aparece agora ligada a tentativas de desenvolvimento de armamentos. Para o público fora da zona de conflito, o alerta é direto: tecnologias de uso civil podem ser adaptadas para fins militares em locais onde há disputa armada e acesso a conhecimento técnico.

O relatório detalha que o grupo chegou a realizar um teste de lançamento de um foguete guiado, mas a tentativa fracassou. A Anthropic também afirmou que não encontrou evidências de que a célula tenha conseguido colocar em funcionamento um dispositivo operacional. Ainda assim, a empresa trata o caso como um exemplo grave de uso indevido de IA em programas de armas convencionais.

Os dados divulgados pela companhia indicam que o grupo atuava no norte do Iêmen, sem identificação pública dos envolvidos. A própria Anthropic diz ter detectado o uso abusivo de sua tecnologia em operações ilegais originadas de diferentes países e interrompido as atividades que conseguia rastrear.

A revelação deve alimentar a pressão sobre empresas de inteligência artificial para reforçar filtros, monitoramento e bloqueios contra usos militares não autorizados. Também expõe a dificuldade de conter a tentativa de driblar as proteções desses sistemas, especialmente quando os usuários fragmentam pedidos, escondem objetivos e distribuem tarefas ao longo de várias sessões.

Por enquanto, o caso permanece restrito ao que foi relatado pela Anthropic. O desdobramento imediato será a reação do setor de tecnologia e de autoridades regulatórias diante de mais um episódio em que uma ferramenta de IA sai do campo da produtividade e entra na disputa por armamentos.