Supermercados do Grupo Mateus mantêm saídas de emergência bloqueadas no Maranhão
Investigação do MP flagrou abraçadeiras em duas lojas de São Luís; rede alega segurança contra furtos

O Grupo Mateus, uma das maiores redes de supermercados do Norte e Nordeste, mantém saídas de emergência lacradas com abraçadeiras em duas de suas lojas em São Luís, capital do Maranhão. A prática foi flagrada pelo portal Atual7 durante fiscalização e, segundo a reportagem, persiste mesmo após a abertura de investigação pelo Ministério Público local. A rede justificou o uso dos dispositivos como medida para prevenir furtos e evitar acessos indevidos aos estabelecimentos.
A situação chamou atenção porque, em teoria, as saídas de emergência devem estar sempre desobstruídas e acessíveis, conforme determina a legislação de segurança contra incêndios e pânico. Em São Luís, a fiscalização do MP foi motivada justamente pela denúncia de que as portas de emergência estariam sendo usadas como forma de controle interno, o que pode colocar em risco a segurança dos clientes e funcionários em caso de necessidade de evacuação rápida. A rede não informou desde quando as abraçadeiras são utilizadas nem quantas unidades da marca adotam a mesma prática.
Para quem circula por Palmas e pelo Tocantins, a notícia não passa despercebida. Afinal, o Grupo Mateus é presença marcante em várias cidades do estado, especialmente nas regiões de fronteira com o Maranhão, como Araguaína e Xambioá. A população local, acostumada a frequentar as lojas da rede, pode se questionar se a mesma prática é adotada em unidades tocantinenses. Até o momento, não há registros de fiscalizações semelhantes no Tocantins, mas a situação no Maranhão serve como alerta para consumidores e órgãos de fiscalização por aqui.
O Ministério Público do Maranhão confirmou que abriu procedimento para apurar a denúncia. Segundo a reportagem do Atual7, a investigação busca verificar se a rede está descumprindo normas de segurança e se as abraçadeiras representam um risco real para quem frequenta os supermercados. A rede, por sua vez, afirmou em nota que as abraçadeiras são usadas para evitar furtos e garantir a integridade dos produtos, mas não detalhou como essa medida se relaciona com a segurança contra incêndios.
A fiscalização em São Luís levanta dúvidas sobre a fiscalização de segurança em estabelecimentos comerciais no Norte do país. Em Palmas, por exemplo, a Agência Tocantinense de Regulação, Controle e Fiscalização (ATR) é responsável por vistoriar estabelecimentos como supermercados, garantindo que cumpram normas de segurança e acessibilidade. Se a prática de bloquear saídas de emergência for confirmada em outras unidades da rede, o caso pode se tornar um precedente para fiscalizações mais rigorosas no Tocantins.
A reportagem do Atual7 não identificou se clientes ou funcionários já sofreram algum tipo de prejuízo por conta das abraçadeiras. No entanto, a mera existência da prática já é suficiente para gerar preocupação, especialmente em um estado como o Tocantins, onde a fiscalização de segurança em estabelecimentos comerciais nem sempre é tão rigorosa quanto em grandes capitais. A população tocantinense, que depende de serviços como saúde e educação em prédios públicos e privados, sabe bem o quanto a falta de manutenção e fiscalização pode colocar vidas em risco.
O Grupo Mateus não respondeu até o fechamento desta matéria sobre a possibilidade de a prática ser adotada em suas lojas no Tocantins. Enquanto isso, consumidores e órgãos de fiscalização seguem atentos. Afinal, a segurança não pode ser negociada, nem mesmo em nome da prevenção de perdas comerciais.