MP acusa Grupo Mateus de vender carne imprópria em supermercados do TO
Fiscais do Procon e Vigilância Sanitária flagraram larvas, ratos e produtos vencidos em lojas de Araguaína e Miracema

Fiscais do Procon e da Vigilância Sanitária do Tocantins flagraram condições sanitárias precárias em supermercados do Grupo Mateus em Araguaína e Miracema do Tocantins. Entre os problemas encontrados estão larvas em alimentos, presença de ratos e produtos com prazo de validade vencido à venda. A Promotoria do Consumidor classificou a situação como "seletividade social", já que os estabelecimentos populares da rede foram os únicos fiscalizados.
A fiscalização aconteceu após denúncias de clientes e consumidores que relataram irregularidades em unidades da rede no interior do estado. Os fiscais identificaram, além dos problemas sanitários, estruturas inadequadas para armazenamento de alimentos e falta de higiene em áreas de manipulação. Em Araguaína, uma das lojas visitadas fica na Avenida Pará, uma das principais vias comerciais da cidade, enquanto em Miracema do Tocantins, a unidade fiscalizada fica na Rua 07 de Setembro, no centro da cidade. Os relatos dos consumidores incluíam queixas sobre o cheiro forte de mofo em carnes e a presença de insetos em prateleiras.
O Grupo Mateus, uma das maiores redes de supermercados do Norte do Brasil, tem forte presença no Tocantins, especialmente em cidades do interior como Araguaína e Miracema, onde atua como principal opção de compra para famílias de baixa renda. A rede é conhecida por preços competitivos, mas a fiscalização expôs um lado contrário à imagem de acessibilidade que costuma vender. A Promotoria do Consumidor entrou com uma ação civil pública pedindo indenização de R$ 10 milhões pelos danos causados aos consumidores tocantinenses.
Segundo o Ministério Público, a seletividade social na fiscalização não é coincidência. "Os supermercados populares são os que mais atendem a população de menor poder aquisitivo, que muitas vezes não têm condições de escolher onde comprar. Quando esses estabelecimentos são fiscalizados, a população mais vulnerável é a mais afetada", afirmou um promotor que acompanha o caso. A ação pede ainda que a empresa seja obrigada a reformar as estruturas das lojas fiscalizadas e a implementar programas de controle de qualidade.
Para os moradores de Araguaína e Miracema, a notícia gerou revolta. "A gente já desconfiava que tinha coisa errada, mas ver isso na televisão e saber que o MP está cobrando é um alívio. Agora a gente quer saber se vão consertar isso logo, porque ninguém merece comer coisa estragada", desabafou Maria Silva, moradora de Araguaína e frequentadora assídua de um dos supermercados da rede. Em Miracema, o comerciante José Oliveira, que mora próximo a uma das lojas fiscalizadas, contou que já havia visto ratos circulando pelo local. "Eu sempre achei estranho, mas como não tinha outro lugar para comprar, a gente fazia vista grossa. Agora, com essa fiscalização, pelo menos a gente sabe que não está sozinho", disse.
A Vigilância Sanitária do Tocantins informou que as lojas fiscalizadas já foram interditadas temporariamente e que novas inspeções serão realizadas para verificar se as irregularidades foram corrigidas. O Grupo Mateus, por sua vez, ainda não se pronunciou oficialmente sobre o caso. A Promotoria do Consumidor aguarda a resposta da empresa para definir os próximos passos da ação.
O caso levanta questões sobre a fiscalização de estabelecimentos comerciais no Tocantins, especialmente aqueles que atendem a população de menor renda. Enquanto grandes redes de supermercados em Palmas são constantemente monitoradas, as unidades do interior muitas vezes escapam dos olhos da fiscalização. A ação do MP pode ser um divisor de águas para cobrar mais responsabilidade dessas empresas, que têm papel fundamental na alimentação de milhares de famílias tocantinenses.