Greening avança lentamente em laranjais de SP e MG
Incidência da doença subiu 0,45 ponto percentual em 2026, menor crescimento em nove anos; severidade aumenta em pomares antigos

A doença greening, que ameaça a produção de laranjas no país, atingiu 48% das árvores em São Paulo e Minas Gerais no último ano. O avanço foi de apenas 0,45 ponto percentual em relação a 2025, o menor crescimento registrado desde 2017. Enquanto a expansão desacelera, a severidade da doença se intensifica nos pomares mais antigos, onde a incidência de plantas doentes é maior e os danos à produção se tornam mais evidentes.
O greening, também conhecido como huanglongbing (HLB), é transmitido por um inseto e causa deformações nos frutos, queda prematura e enfraquecimento das árvores. Desde que foi detectado no Brasil, há cerca de duas décadas, a doença se tornou uma das principais ameaças à citricultura nacional. Produtores e pesquisadores monitoram os índices anualmente, mas a estabilização do crescimento não significa alívio para o setor. Nos últimos anos, a doença avançou de forma constante, mas em 2026 o ritmo diminuiu, o que pode indicar um controle mais efetivo em algumas regiões ou, simplesmente, uma acomodação natural do problema.
Para quem depende da laranja, a situação exige atenção redobrada. Em pomares com mais de dez anos, a doença já afeta mais de 60% das árvores, segundo dados de cooperativas e associações do setor. A queda na produtividade é inevitável quando a infecção ultrapassa certo limite, e muitos agricultores já relatam prejuízos significativos. A erradicação das plantas doentes é uma das medidas mais recomendadas, mas nem sempre é viável economicamente para pequenos produtores. Além disso, a falta de mudas sadias no mercado agrava o problema, já que a reposição de árvores infectadas é lenta e cara.
Os números mostram que, em 2026, 48% das laranjeiras estavam contaminadas, um aumento de 0,45 ponto percentual em relação ao ano anterior. A severidade, por sua vez, subiu de 12% para 15% nos pomares com mais de uma década de cultivo. Esses dados foram compilados por órgãos de defesa agropecuária e associações de citricultores, que alertam para a necessidade de ações integradas. O controle do inseto vetor, o psilídeo, continua sendo a principal estratégia, mas a resistência do inseto a alguns inseticidas tem dificultado o trabalho.
O setor aguarda agora as próximas medidas do governo e das entidades representativas. A revisão de políticas públicas para o controle do greening, como incentivos à substituição de pomares velhos e a distribuição de mudas certificadas, pode ser decisiva. Enquanto isso, produtores buscam alternativas, como o uso de variedades mais resistentes, embora os resultados ainda sejam incertos. A temporada de colheita de 2027 será um termômetro importante para avaliar se a desaceleração do greening se mantém ou se trata apenas de uma pausa temporária.
A doença não afeta apenas a quantidade de frutos, mas também a qualidade. Laranjas infectadas costumam ser menores, com sabor alterado e casca mais espessa, o que reduz seu valor no mercado. Com a demanda internacional por suco de laranja em alta, a pressão sobre os citricultores aumenta. A expectativa é que, nos próximos meses, novas diretrizes sejam anunciadas para tentar conter o avanço do greening sem comprometer a viabilidade econômica dos pomares.