Governo brasileiro busca reabrir acordo sobre tarifas com EUA
Reunião virtual foi marcada após contato entre líderes dos dois países

O governo brasileiro convocou uma reunião virtual com representantes dos Estados Unidos para tentar reativar as negociações sobre o chamado "tarifaço", uma série de aumentos de taxas sobre produtos importados que gerou tensão entre os dois países. O encontro, marcado para os próximos dias, foi definido após um telefonema entre o ex-presidente norte-americano Donald Trump e o atual chefe do Executivo brasileiro.
A pauta central da discussão será a revisão das tarifas impostas recentemente por ambos os lados, que já começaram a afetar setores-chave da economia. No Brasil, a medida atingiu diretamente a indústria de manufaturados, enquanto nos EUA, os reflexos foram sentidos na agricultura, especialmente em produtos como soja e carne. A escalada de barreiras comerciais, iniciada há cerca de dois meses, já provocou perdas bilionárias em transações bilaterais, segundo dados preliminares de câmaras de comércio.
A decisão de reabrir o diálogo veio após semanas de impasse, com cada lado mantendo posições firmes. Do lado brasileiro, a preocupação é com o impacto no crescimento econômico, já fragilizado por outros fatores. Nos EUA, a pressão vem de setores que dependem das exportações para o mercado brasileiro, que viram seus custos subirem com as tarifas retaliatórias. Fontes próximas ao Ministério da Economia brasileiro confirmaram que a reunião será conduzida por equipes técnicas, com o objetivo de encontrar um ponto de equilíbrio que evite prejuízos maiores para ambos os lados.
As negociações anteriores haviam sido interrompidas após divergências sobre a redução das tarifas sobre produtos agrícolas norte-americanos. O Brasil argumentava que os valores praticados eram excessivos e prejudicavam a competitividade de suas indústrias, enquanto os EUA alegavam que as barreiras brasileiras eram injustificadas e violavam acordos comerciais internacionais. Agora, com a mediação de Trump — que mantém influência sobre a política externa norte-americana —, há uma expectativa de que o tom das conversas possa mudar.
Os reflexos dessas tarifas já são sentidos no dia a dia de empresas que dependem do comércio exterior. Empresários brasileiros relatam dificuldades para honrar contratos com clientes nos EUA, enquanto importadores norte-americanos enfrentam filas mais longas e custos elevados para liberar mercadorias no Brasil. Setores como o automobilístico e o de tecnologia, que dependem de componentes importados, também registram atrasos e aumento nos preços finais.
A reunião desta semana será a primeira tentativa concreta de desbloquear o impasse desde que as tarifas entraram em vigor. Segundo informações obtidas pela imprensa, os dois governos já haviam trocado propostas técnicas, mas nenhuma delas foi aceita integralmente. A expectativa é que, desta vez, a pressão política — especialmente vinda dos EUA — possa forçar um acordo mais rápido.
O que está em jogo não são apenas números em planilhas, mas empregos e renda em ambos os países. No Brasil, a indústria de autopeças, por exemplo, já demitiu cerca de 5 mil trabalhadores desde o início das tarifas, segundo dados da associação do setor. Nos EUA, produtores de soja relataram queda de 12% nas vendas para o Brasil no último mês, um prejuízo que afeta diretamente comunidades rurais.
Os próximos passos dependerão dos resultados da reunião. Se não houver avanços, a tendência é que as barreiras permaneçam, com consequências ainda mais graves para a economia global. Caso contrário, os dois países poderão anunciar um cronograma para a redução gradual das tarifas, mas isso ainda está longe de ser certo. O que se sabe é que o tempo urge: cada dia de atraso nas negociações representa mais perdas para quem depende desse comércio.