Tocantins leva políticas de proteção à mulher para debate nacional
Secretaria da Mulher do estado participou de encontro sobre o Ligue 180 em Brasília com foco em ações locais

O Tocantins levou para Brasília, nesta semana, um pacote de iniciativas que já transformam a vida de mulheres em todo o estado. Durante o encontro nacional sobre o Ligue 180, a Secretaria da Mulher do Tocantins apresentou as políticas públicas que vêm sendo implementadas, especialmente nas regiões com maior incidência de violência doméstica. A participação reforçou não só o compromisso do governo estadual, mas também a importância de ações integradas entre os municípios e o governo federal.
A viagem da equipe tocantinense aconteceu no momento em que o Brasil discute formas de ampliar a rede de proteção às mulheres. Em Palmas, por exemplo, a Central de Atendimento à Mulher (CAM) tem sido um ponto de virada. Desde sua criação, o serviço já atendeu mais de 1.200 casos em 2024, com um aumento de 30% em relação ao ano passado. Em Araguaína, a Casa da Mulher Brasileira, inaugurada no ano passado, já registrou 850 atendimentos, enquanto em Gurupi a delegacia especializada em crimes contra a mulher ampliou seu horário de funcionamento para 24 horas nos finais de semana.
O que o Tocantins mostrou em Brasília não é apenas números, mas um modelo que começa a dar resultados. A secretária da Mulher, Sandra Mara, destacou que a integração entre as políticas estaduais e municipais tem feito diferença. "Não adianta ter um disque-denúncia se não houver uma rede de acolhimento por perto. Por isso, estamos levando o atendimento para mais longe, com equipes móveis que percorrem cidades como Paraíso do Tocantins e Miracema", afirmou. Segundo ela, o Ligue 180 é apenas a ponta do iceberg: o foco está em prevenir a violência antes que ela aconteça, com programas de conscientização nas escolas e nas comunidades.
A coordenadora do Ligue 180 no Tocantins, Ana Cláudia Oliveira, explicou que o estado tem investido em capacitação de profissionais. "Desde o início do ano, já treinamos 150 agentes de segurança e 80 profissionais da saúde para identificar sinais de violência e agir de forma rápida. Em Porto Nacional, por exemplo, a parceria com a UBS local resultou em um aumento de 40% nos registros de casos que antes passavam despercebidos", contou. O treinamento inclui desde policiais até professores, que agora sabem como encaminhar vítimas para os serviços adequados.
Para quem vive no interior, a diferença já é visível. Em Colinas do Tocantins, uma das cidades com maior índice de violência contra a mulher, a prefeitura criou um programa de acolhimento noturno para vítimas que não têm onde ficar. Em Dianópolis, a Casa Abrigo passou por reformas e agora oferece mais vagas, além de oficinas de geração de renda para as mulheres que deixam a situação de risco. "Muitas não denunciam por medo ou falta de opções. Por isso, a gente precisa ir até elas", disse a coordenadora local do programa, Maria das Graças Silva.
O encontro em Brasília também serviu para o Tocantins buscar recursos federais. A secretária Sandra Mara adiantou que o estado vai pleitear verbas para expandir o programa "Mulher Viva", que já atende 15 municípios. "A gente sabe que o dinheiro é curto, mas a prioridade é clara: salvar vidas. Se a União ajudar, a gente consegue chegar a mais 10 cidades ainda este ano", afirmou. A expectativa é que, até dezembro, o Tocantins tenha pelo menos uma ação concreta em cada uma das 139 cidades do estado.
O que vem por aí? A Secretaria da Mulher já anunciou que vai lançar, no próximo mês, um aplicativo para denúncias anônimas, desenvolvido em parceria com a Universidade Federal do Tocantins. Além disso, está em fase final a construção de duas novas Casas da Mulher Brasileira, uma em Araguaína e outra em Gurupi. Para as mulheres que ainda hesitam em buscar ajuda, a mensagem é clara: o estado não vai desistir de proteger quem mais precisa.