Tocantins debate futuro da pesca e aquicultura em conferência estadual
Secretaria de Aquicultura e Pesca do Tocantins promove encontro em Palmas para definir estratégias até 2030 15/08/2024 Palmas
O Governo do Tocantins deu início nesta quinta-feira, 15, à etapa estadual da 4ª Conferência Nacional de Aquicultura e Pesca, um evento que reúne produtores, pesquisadores e gestores para discutir o futuro do setor no estado. Realizada no auditório da Secretaria de Estado da Agricultura, Pecuária e Aquicultura (Seagro), a abertura contou com a presença do secretário da pasta, Jaime Café, e de representantes de cooperativas e associações de pescadores.
A conferência estadual é a primeira de uma série de encontros regionais que antecedem a etapa nacional, marcada para outubro em Brasília. O objetivo é mapear demandas e propor políticas públicas que fortaleçam a cadeia produtiva, desde a produção até a comercialização. Em Palmas, o foco foi ouvir diretamente os trabalhadores do setor, muitos deles de municípios como Araguaína, Gurupi e Porto Nacional, onde a pesca artesanal e a criação de peixes em tanques-rede são atividades econômicas importantes.
Para o secretário Jaime Café, o momento é oportuno para alinhar as necessidades locais com as diretrizes federais. "Aqui em Palmas, vamos ouvir quem vive o dia a dia da pesca e da aquicultura. São esses relatos que vão moldar as propostas que levaremos para a conferência nacional", afirmou. Segundo ele, o Tocantins tem potencial para se tornar referência na região Norte em produção aquícola, mas enfrenta desafios como a falta de infraestrutura em algumas cidades e a necessidade de qualificação técnica.
Os participantes da conferência destacaram problemas recorrentes, como a burocracia para obtenção de licenças ambientais e a concorrência desleal com peixes importados. Em Gurupi, por exemplo, produtores reclamam da dificuldade em escoar a produção para mercados maiores, como Goiânia e Brasília, devido ao alto custo do frete. Já em Porto Nacional, a pesca no Rio Tocantins enfrenta pressões pela ocupação desordenada das margens, o que afeta a reprodução natural dos cardumes.
Um dos pontos mais discutidos foi a necessidade de investimentos em tecnologias para aumentar a produtividade. Em Araguaína, cooperativas de piscicultores já utilizam sistemas de recirculação de água, mas reclamam da falta de linhas de crédito específicas para aquicultura. "A gente produz peixe de qualidade, mas não consegue competir com o preço da tilápia vinda de outros estados", contou Maria das Dores, presidente de uma associação local. A fala dela refletiu a realidade de muitos pequenos produtores, que dependem de políticas públicas para se manterem no mercado.
A conferência também abordou a segurança alimentar. O Tocantins é um dos maiores consumidores de pescado do Norte do Brasil, mas grande parte do que é consumido vem de outras regiões. A ideia é ampliar a produção local para reduzir a dependência de estados como Rondônia e Mato Grosso. "Se a gente conseguir organizar melhor a cadeia, a gente pode abastecer não só o Tocantins, mas também estados vizinhos", projetou Café.
Os próximos passos incluem a realização de encontros regionais em Miracema do Tocantins, Dianópolis e Paraíso do Tocantins até setembro. Os resultados serão compilados em um documento que será levado à conferência nacional. Além disso, a Seagro anunciou a criação de um grupo de trabalho para estudar a viabilidade de um programa estadual de incentivo à aquicultura, com foco em crédito e assistência técnica.
Para o produtor rural José Wilson, de Porto Nacional, a participação na conferência é uma chance de mostrar que o setor precisa de atenção. "A gente não quer só peixe na mesa, a gente quer peixe no prato do tocantinense com preço justo", disse. A expectativa é que as discussões em Palmas e nas demais cidades resultem em ações concretas, como a ampliação de linhas de financiamento e a simplificação de processos para pequenos produtores.
A etapa estadual da conferência termina nesta sexta-feira, 16, com a apresentação das propostas que serão levadas à etapa nacional. O evento em Palmas contou com cerca de 150 participantes, entre pescadores, técnicos e representantes de órgãos públicos. A expectativa é que as discussões gerem frutos até o final do ano, quando o Governo do Tocantins deve lançar um plano estadual de aquicultura.
Enquanto isso, em Gurupi, a cooperativa local já estuda a possibilidade de firmar parcerias com universidades para desenvolver pesquisas aplicadas. "A gente sabe que sozinhos não vamos longe, mas com apoio do governo e da iniciativa privada, a gente pode fazer a diferença", afirmou o coordenador da cooperativa, Antônio Carlos.
O evento em Palmas mostrou que, apesar dos desafios, há um movimento crescente em torno da pesca e da aquicultura no Tocantins. Se as propostas saírem do papel, o estado pode não só aumentar sua produção, mas também criar empregos e melhorar a segurança alimentar de milhares de famílias.