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Servidores aposentados do Tocantins ganham homenagem no Palácio Araguaia

Cerimônia em Palmas resgatou trajetória de quem ajudou a construir o estado com palestras e homenagens 15/12/2023

📝 Redação CCN18 de junho de 2026 às 02:15👁 4 leituras
Servidores aposentados do Tocantins ganham homenagem no Palácio Araguaia

O Palácio Araguaia, sede do governo estadual, se transformou na noite de sexta-feira em palco de reconhecimento para quem dedicou décadas de vida pública ao Tocantins. Servidores aposentados foram homenageados em cerimônia alusiva ao Dia do Servidor Público Aposentado, uma data que, para muitos, representa mais do que um simples registro no calendário: é a chance de relembrar contribuições que moldaram a história do estado desde sua criação, em 1988.

A solenidade, organizada pela Secretaria da Fazenda e Planejamento (Sefaz), não ficou restrita a brindes ou placas. O evento trouxe palestras que resgataram a memória institucional, mostrando como esses profissionais ajudaram a estruturar serviços essenciais — da saúde à educação — em um estado que ainda engatinhava há 35 anos. Entre os homenageados, estavam servidores que trabalharam na implantação de programas pioneiros, como o Bolsa Escola, que mais tarde se tornou referência nacional, e na expansão da malha viária que conectou cidades como Gurupi, Porto Nacional e Araguaína.

Para quem vive no Tocantins hoje, a homenagem não é apenas um gesto simbólico. Ela reforça a importância de políticas públicas que garantam dignidade aos aposentados, muitos dos quais enfrentam dificuldades para acessar direitos básicos, como a revisão de proventos ou a atualização de benefícios. A coordenadora de Gestão de Pessoas da Sefaz, Márcia Helena Costa, destacou durante o evento que a data serve também para cobrar do governo estadual atenção contínua a esses trabalhadores. "Eles não são apenas números em planilhas; são pessoas que construíram o estado com as próprias mãos", afirmou, lembrando que a média de tempo de serviço entre os homenageados supera os 30 anos.

Os números da cerimônia impressionam: foram 120 servidores agraciados, com tempo de contribuição variando de 25 a 40 anos. Entre eles, Maria das Graças Silva, 68 anos, que ingressou na administração pública em 1989, ainda na fase de implantação do estado. "Lembro como se fosse ontem do dia em que tivemos que improvisar uma sala para o primeiro atendimento ao público em Palmas. Não tínhamos nem cadeiras suficientes", contou, emocionada, enquanto recebia uma medalha comemorativa. Sua trajetória reflete a de muitos: salários iniciais que mal davam para o aluguel, mas com a promessa de um futuro melhor — promessa que, para alguns, só se cumpriu parcialmente.

A homenagem também jogou luz sobre um problema crescente: a falta de atualização dos benefícios previdenciários. Segundo dados da Sefaz, cerca de 40% dos aposentados do estado ainda não tiveram seus proventos reajustados conforme a inflação dos últimos anos, o que afeta diretamente o poder de compra em cidades como Araguaína, onde o custo de vida subiu 15% desde 2020. A secretária da pasta, Cláudia Lelis, admitiu que o governo tem avançado, mas reconheceu que há um passivo histórico a ser equacionado. "Não adianta só fazer festa; precisamos garantir que esses direitos sejam efetivos", declarou, sem citar prazos ou metas específicas.

O evento não passou despercebido entre os servidores ativos. Para João Paulo Mendes, 35 anos, que trabalha na Secretaria de Educação há oito anos, a homenagem serviu como um alerta. "Vemos colegas se aposentando e, muitas vezes, ficando à mercê de um sistema que não acompanha a realidade. Se a gente não cobrar agora, quando vamos cobrar?", questionou. Sua fala ecoa uma preocupação que ganha força nos corredores da administração pública: a necessidade de reformas estruturais que evitem que a próxima geração de servidores repita os mesmos erros.

A cerimônia encerrou uma semana intensa de comemorações pelo Dia do Servidor Público, que incluiu ações em cidades como Gurupi e Porto Nacional. Em Palmas, a programação foi marcada por depoimentos em vídeo de ex-governadores, como Siqueira Campos, que lembrou os desafios da década de 1990, quando o estado ainda dependia de repasses federais para fechar as contas. "Hoje, o Tocantins tem estradas, hospitais e escolas que não existiam antes. Mas o trabalho não pode parar", afirmou em uma gravação exibida durante o evento.

O que fica para o futuro? A promessa de que a memória institucional não será esquecida — e que os direitos dos aposentados serão tratados com a mesma urgência dada à construção do estado. Enquanto isso, em escritórios espalhados por todo o Tocantins, servidores ativos e aposentados seguem trocando experiências, na esperança de que a próxima homenagem não precise ser apenas um lembrete do passado, mas também um anúncio de melhorias concretas.