Tocantins expande Centro de Comércio Popular para mais de 40 municípios
Governo leva projeto de inclusão produtiva a cidades do interior com objetivo de fortalecer pequenos comerciantes

O governador Wanderlei Barbosa avança na implantação do Centro de Comércio Popular em mais de 40 municípios tocantinenses, uma iniciativa que promete transformar a realidade econômica de pequenos comerciantes espalhados pelo estado.
O projeto nasceu da necessidade urgente de criar espaços onde vendedores informais e microempresários pudessem trabalhar com segurança jurídica e infraestrutura mínima. No Tocantins, onde grande parte da população ainda depende do comércio local e da economia informal, a medida chega em momento crítico. Palmas, Araguaína, Gurupi e outras cidades maiores já sofrem com a falta de estrutura adequada para este segmento. Nas cidades menores, a situação é ainda mais aguda: vendedores ambulantes trabalham em ruas, sem acesso a água, energia ou segurança.
Segundo a gestão estadual, os Centros de Comércio Popular funcionarão como estruturas modulares — espaços compartilhados onde pequenos negociantes podem alugar bancas ou lojinhas por valores acessíveis. A ideia é replicar um modelo que já funciona em outras regiões do país, adaptando-o à realidade tocantinense. Isso significa que um vendedor de roupas em Porto Nacional, por exemplo, teria acesso a um local com energia, água, segurança e possibilidade de formalização, sem precisar investir sozinho em uma estrutura própria.
Wanderlei Barbosa enquadra a iniciativa como parte do compromisso da gestão com inclusão produtiva. Para o governo, trata-se de abrir caminhos para que trabalhadores de baixa renda consigam se estruturar melhor, gerar renda digna e contribuir com os impostos municipais. Cada centro criado representaria, em tese, dezenas de novos postos de trabalho formalizados.
O alcance é ambicioso. Mais de 40 municípios tocantinenses receberão a estrutura — um número que cobre boa parte do interior do estado. Isso significa que cidades como Colmeia, Guaraí, Dianópolis, Formoso do Araguaia e dezenas de outras terão seus próprios centros. Para os comerciantes dessas localidades, a mudança é significativa. Deixariam de trabalhar na informalidade total, com riscos legais e sem proteção, para se integrar a um espaço organizado.
No aspecto prático, o projeto envolve construção ou adaptação de imóveis, instalação de infraestrutura básica e criação de um sistema de gestão para cada centro. Prefeituras e governo estadual trabalham juntos nesta etapa. A expectativa é que os centros funcionem como polos de atração de consumidores, incentivando o comércio local e movimentando a economia dos municípios.
Mas há desafios. O maior deles é garantir que os aluguéis das bancas e lojas permaneçam acessíveis aos comerciantes que mais precisam. Se os valores subirem demais, o projeto perde seu propósito de inclusão e acaba beneficiando apenas lojistas com mais recursos. Outro ponto crítico é a gestão operacional: quem fiscaliza, cobra os aluguéis, mantém os espaços limpos e seguros? Falhas aqui transformam o centro em um espaço deteriorado.
Para o tocantinense que trabalha na informalidade — e há muitos neste estado — a expansão dos Centros de Comércio Popular representa uma porta para melhorar de vida. Significa segurança jurídica, acesso a clientes em local apropriado, possibilidade de crédito bancário (já que haveria registro de negócio formalizado) e até benefícios previdenciários. Para as prefeituras, significa arrecadação adicional e revitalização de áreas comerciais.n
Os desdobramentos desta iniciativa nos próximos meses dirão se o projeto cumpre o que promete. Se implantado com rigor e gestão competente, pode ser um divisor de águas para a economia informal tocantinense. Se virar apenas mais uma obra inacabada, será mais uma frustração para quem aposta na mudança.