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Wanderlei libera R$ 27 milhões para saúde no Araguaia

Investimento anual de R$ 8,5 milhões vai ampliar leitos críticos em municípios do Vale do Araguaia a partir de 2024

📝 Redação CCN18 de junho de 2026 às 12:30👁 3 leituras
Wanderlei libera R$ 27 milhões para saúde no Araguaia

O governador Wanderlei Barbosa anunciou ontem, em Araguaína, a destinação de R$ 27 milhões para reforçar a rede de saúde no Vale do Araguaia. O aporte anual de R$ 8,5 milhões será usado para criar 20 novos leitos de UTI e Unidade Semi-Intensiva, ampliando a capacidade de atendimento a pacientes graves em sete municípios da região. A decisão chega em um momento em que hospitais públicos enfrentam filas de espera e transferências para outras cidades por falta de vagas.

A região, que inclui cidades como Araguaína, Colinas do Tocantins, Filadélfia e Babaçulândia, tem sido alvo de cobranças da população e de conselhos de saúde por mais investimentos. Nos últimos dois anos, a Secretaria Estadual de Saúde (SES-TO) registrou um aumento de 30% nas internações por doenças respiratórias e cardiovasculares, especialmente durante o inverno, quando a demanda por leitos críticos dispara. A crise se agravou com a redução de repasses federais para a saúde, obrigando o estado a buscar alternativas para não deixar pacientes sem atendimento.

Para o prefeito de Araguaína, Ronaldo Dimas, a medida é urgente. "Aqui, a fila de espera por uma vaga na UTI já chegou a 45 dias. Isso significa que pessoas estão morrendo enquanto esperam por um leito", afirmou. A ampliação dos serviços deve começar ainda este ano, com a contratação de profissionais e a reforma de estruturas existentes. A SES-TO informou que os novos leitos serão distribuídos entre o Hospital Regional de Araguaína e unidades em Colinas e Filadélfia, priorizando regiões com maior carência.

Os R$ 27 milhões fazem parte de um pacote maior de R$ 120 milhões anunciado pelo governo estadual para a saúde em 2024, que inclui também a compra de equipamentos e a manutenção de unidades básicas. Segundo a coordenadora de Planejamento da SES-TO, Dra. Márcia Oliveira, o investimento foi calculado com base na média de ocupação dos leitos nos últimos três anos. "Em 2023, tivemos uma ocupação de 95% nos leitos críticos do Araguaia. Não havia margem para mais ninguém", explicou. A previsão é de que, com os novos leitos, a ocupação caia para 70%, reduzindo as transferências para hospitais de Palmas ou de estados vizinhos.

A notícia foi recebida com alívio por profissionais da saúde e famílias que dependem do SUS. Em Babaçulândia, a dona de casa Maria Aparecida, 58 anos, contou que seu irmão aguarda há três meses por uma vaga na UTI para tratar de uma pneumonia. "Ele já fez três viagens para Araguaína, mas sempre volta para casa sem atendimento. Agora, pelo menos, temos esperança", disse. A expectativa é que os novos leitos estejam operacionais até o primeiro semestre de 2024, mas a SES-TO já estuda a possibilidade de antecipar parte das obras para atender casos emergenciais.

O governador Wanderlei Barbosa destacou que o investimento faz parte de um esforço para reduzir as desigualdades regionais no Tocantins. "O Araguaia não pode ficar para trás. Vamos garantir que ninguém precise viajar 300 quilômetros para ser atendido", afirmou durante o anúncio. A região, que concentra cerca de 20% da população do estado, tem apenas 12% dos leitos de UTI do Tocantins, segundo dados do DataSUS. A meta agora é chegar a 18% até 2025.

Enquanto isso, a população acompanha de perto os desdobramentos. Em Araguaína, a Associação de Moradores do Bairro São João já protocolou um pedido para que um dos novos leitos seja reservado para a comunidade local, que enfrenta alta incidência de doenças crônicas. A SES-TO informou que vai analisar a solicitação, mas não há previsão de quando a decisão será tomada. O que fica claro é que, para os moradores do Vale do Araguaia, a chegada dos novos leitos não é apenas uma notícia, mas uma questão de vida ou morte.