AO VIVO
Tocantins

Frigorífico em Gurupi gera 500 vagas e reforça agro no sul do Tocantins

Unidade inaugurada pelo governador Wanderlei Barbosa tem capacidade para abater 260 bois por dia e deve movimentar a economia regional

📝 Redação CCN01 de julho de 2026 às 10:06👁 6 leituras
Frigorífico em Gurupi gera 500 vagas e reforça agro no sul do Tocantins

O governador Wanderlei Barbosa inaugurou nesta semana a primeira unidade de frigorífico concedida no Tocantins, localizada em Gurupi, a 230 km de Palmas. Com capacidade para abater até 260 bovinos por dia — o que representa 6.760 cabeças por mês —, a estrutura também conta com um armazém para até 180 toneladas de produtos derivados da carne, como cortes e miúdos. A obra faz parte de um pacote de concessões do governo estadual para modernizar a cadeia produtiva do estado, que já responde por 1,2 milhão de cabeças de gado, segundo dados da Agência de Defesa Agropecuária do Tocantins (Adapec).

A iniciativa chega em um momento em que o sul do Tocantins, região que inclui Gurupi, Formosa do Araguaia e Alvorada, ganha força como polo de produção pecuária. A unidade, que deve entrar em operação ainda este mês, foi construída pela iniciativa privada após licitação pública, mas com incentivos fiscais do Estado. O modelo de concessão, ainda pouco comum no Tocantins, busca reduzir custos para os produtores rurais e atrair investimentos para a região. Segundo a Secretaria de Estado da Agricultura, Pecuária e Aquicultura (Seagro), o frigorífico vai gerar 500 empregos diretos e indiretos, com salários que variam entre R$ 1.800 e R$ 3.500, dependendo da função. A maioria das vagas será preenchida por moradores de Gurupi e cidades vizinhas, como Porto Nacional e Peixe.

Para os pecuaristas da região, a novidade é um alívio. Muitos reclamavam da falta de estruturas próximas para escoar a produção, o que obrigava a transportar o gado vivo para frigoríficos em Goiás ou Mato Grosso, encarecendo o processo. "Aqui, a gente perdia muito dinheiro com frete e tempo. Agora, com um frigorífico a 30 minutos de distância, o custo cai e a gente pode vender a carne com preço mais competitivo", afirmou João Carlos Silva, produtor rural de Alvorada, que cria cerca de 200 bois. A Seagro estima que a unidade vai movimentar R$ 120 milhões por ano na região, considerando a compra de animais e a venda de carne processada.

A obra custou R$ 45 milhões, financiados com recursos do Fundo de Desenvolvimento Rural (FDR) e contrapartida da empresa vencedora do edital. O governador Wanderlei Barbosa destacou que o projeto é parte de um plano maior para diversificar a economia tocantinense, que ainda depende muito da soja e do gado. "Não adianta termos a maior produção de gado do Brasil se não temos onde processar. Essa unidade é só o começo. Vamos abrir mais três frigoríficos nos próximos dois anos", declarou Barbosa durante a inauguração. A Seagro já mapeou áreas em Araguaína, Paraíso do Tocantins e Dianópolis para novos empreendimentos semelhantes.

Os moradores de Gurupi também comemoram a chegada do frigorífico. O bairro Industrial, onde a unidade foi instalada, já registra movimento intenso desde a semana passada, com caminhões carregando bois e funcionários da obra circulando pela região. A prefeitura local informou que vai oferecer cursos de capacitação para os novos empregados, em parceria com o Senai-TO. "A expectativa é grande. Aqui, a gente sabe que emprego novo é sinônago de vida melhor", disse Maria Aparecida Oliveira, dona de um pequeno comércio próximo ao local. A unidade deve começar a operar em regime parcial ainda em outubro, com previsão de atingir a capacidade máxima em dezembro.

A inauguração do frigorífico em Gurupi chega em um momento em que o Tocantins tenta se firmar como um dos principais estados do agronegócio nacional. Segundo a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado (Faet), o setor representa 35% do PIB tocantinense, mas ainda enfrenta gargalos logísticos. A Seagro já estuda a possibilidade de construir um terminal de carga refrigerada no Aeroporto de Gurupi para facilitar a exportação de carne, que hoje é feita principalmente por rodovias.

Enquanto isso, os produtores rurais da região já começam a se organizar para aproveitar a nova estrutura. A Associação dos Pecuaristas de Gurupi (Apegu) vai promover uma feira no próximo mês para apresentar os cortes produzidos no frigorífico e atrair compradores de outros estados. "A gente não quer só vender carne, quer vender qualidade. Com essa unidade, a gente pode até pensar em exportar", afirmou o presidente da Apegu, Antônio Marcos Pereira. A expectativa é que, em dois anos, o frigorífico esteja entre os cinco maiores do estado em volume de abate.

A Seagro informou que vai monitorar os impactos da unidade nos próximos meses, com foco em emprego, renda e redução de custos para os produtores. A Adapec, por sua vez, já iniciou treinamentos para os funcionários do frigorífico sobre boas práticas de abate e manejo sanitário, garantindo que a carne produzida atenda aos padrões internacionais. A unidade segue as normas do Ministério da Agricultura e do Serviço de Inspeção Federal (SIF), o que permitirá a comercialização em todo o território nacional e até em mercados externos.