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Gonet defende integração de forças de segurança sem rivalidades institucionais

PEC da Segurança enfrenta travamento no Senado após três meses sem avanço na votação

📝 Redação CCN03 de junho de 2026 às 17:50👁 1 leituras
Gonet defende integração de forças de segurança sem rivalidades institucionais

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, saiu em defesa da Proposta de Emenda à Constituição que busca integrar as forças de segurança do país. Sua fala ocorre num momento em que a medida permanece estagnada no Senado Federal há três meses, longe de conseguir os votos necessários para aprovação.

Gonet reforçou um argumento que circula entre defensores da PEC: a necessidade de combater o crime organizado sem que instituições disputem poder entre si. A ideia central é que a falta de coordenação entre polícias federais, estaduais e civis cria brechas que criminosos exploram. Segundo o procurador, o ciúme institucional — aquele que faz cada órgão de segurança trabalhar isolado, protegendo sua autonomia — acaba favorecendo justamente quem deveria estar sendo perseguido.

Tocantins, como muitos estados do Centro-Oeste, enfrenta pressão especial de organizações criminosas que atuam em rotas de tráfico internacional. A dificuldade em articular ações entre diferentes órgãos de segurança permite que quadrilhas se reorganizem rapidamente. Uma operação que prende suspeitos em uma jurisdição pode não ter continuidade em outra se não houver fluxo eficiente de informações.

A PEC que parou no Senado não é uma ideia nova. Há anos estudiosos de segurança pública discutem formas de criar protocolos comuns, compartilhamento de inteligência e operações conjuntas entre as corporações. O debate se intensificou conforme o crime organizado ganhou sofisticação, funcionando como uma rede integrada enquanto o Estado continua compartimentado.

Mas o travamento legislativo revela um problema que vai além da técnica policial. Deputados e senadores enfrentam pressão de bases eleitorais ligadas a sindicatos de policiais civis e militares. Há medo genuíno de que mudanças constitucionais afetem carreiras, remuneração ou estrutura administrativa das corporações. Além disso, alguns estados temem perder autonomia sobre suas polícias estaduais.

Gonet escolheu entrar publicamente nesse debate justamente para tentar quebrar o impasse. Sua posição como procurador lhe confere credibilidade junto ao Senado — ele não fala como político, mas como alguém que vê diariamente como a desarticulação das forças prejudica investigações e oferecimento de denúncias.

O argumento de que ciúme institucional favorece criminosos é fácil de entender, mas difícil de resolver. Exige que policiais, delegados e agentes federais pratiquem uma cultura colaborativa que, historicamente, não existiu no Brasil. Significa também aceitar que alguém de fora — um procurador, um juiz federal, uma força-tarefa — pode ter autoridade sobre decisões que antes eram exclusivas de cada corporação.

Para o cidadão comum, a consequência é simples: quando a polícia não consegue prender criminosos que agem em múltiplas jurisdições, quem sofre com assaltos, tráfico e violência são as comunidades. Cada mês que a PEC fica parada no Senado é mais um mês em que essas questões não avançam.

O desafio agora é político. Gonet defende a medida, mas quem consegue os votos são os senadores. Enquanto não houver acordo sobre o que exatamente a PEC vai mudar nas corporações policiais, ou enquanto não ceder nas pressões de grupos que temem perder espaço, a proposta seguirá na gaveta. O procurador colocou o tema novamente na mesa — agora resta saber se há vontade legislativa para resolvê-lo.