Água na garrafinha pode esconder riscos à saúde em Palmas
Estudo alerta para contaminação em recipientes reutilizáveis no cotidiano tocantinense 2024

A garrafinha de água que você carrega na bolsa ou no carro pode não ser tão inofensiva quanto parece. Um alerta recente coloca em xeque a segurança de recipientes plásticos reutilizáveis, especialmente aqueles expostos ao sol ou mal higienizados. Em Palmas, onde o calor ultrapassa os 35°C na maior parte do ano, o hábito de manter a garrafa no carro ou na mochila por dias seguidos virou rotina para muitos trabalhadores, estudantes e esportistas. Mas o que começa como uma prática de economia e sustentabilidade pode se transformar em um problema de saúde pública.
O alerta veio de uma análise técnica que identificou riscos em garrafas plásticas, principalmente as de uso prolongado e sem limpeza adequada. Segundo o estudo, o material pode liberar partículas microscópicas ou até mesmo abrigar bactérias quando exposto a temperaturas elevadas ou quando o recipiente não é lavado com frequência. Em Palmas, onde a temperatura média anual fica acima dos 28°C, o problema ganha contornos ainda mais preocupantes. "As pessoas costumam deixar a garrafinha no carro ou na bolsa por dias, sem perceber que o plástico pode degradar com o tempo e liberar substâncias nocivas", explica um técnico em saúde ambiental ouvido pela reportagem.
A rotina acelerada da capital tocantinense — com longas filas no trânsito, horários apertados e pouca disponibilidade de água potável em locais públicos — faz com que muitos moradores dependam dessas garrafas para se hidratar ao longo do dia. No entanto, a falta de informação sobre os riscos pode estar expondo a população a contaminações silenciosas. Em bairros como o Centro, onde o comércio e a circulação de pessoas são intensos, é comum ver garrafas abandonadas em mesas de lanchonetes ou caixas de supermercados, reutilizadas sem qualquer cuidado.
Os dados do estudo, ainda preliminares, indicam que garrafas de polietileno tereftalato (PET) — o plástico mais comum no mercado — são as que apresentam maior risco quando expostas ao sol ou a produtos químicos. Em Palmas, onde o consumo de água mineral é alto devido à qualidade duvidosa da rede pública em algumas regiões, a reutilização desses recipientes se tornou um hábito disseminado. "Muitas pessoas acreditam que lavar a garrafa com água é suficiente, mas a limpeza inadequada pode piorar a situação", alerta o técnico.
A Vigilância Sanitária de Palmas, responsável por fiscalizar a qualidade dos alimentos e bebidas no município, já havia recebido denúncias sobre o uso inadequado de garrafas plásticas em estabelecimentos comerciais. No entanto, o problema extrapola os limites do comércio e chega ao cotidiano das famílias. Em bairros como o Jardim Aureny, onde a população depende de água encanada com frequentes interrupções, a prática de reutilizar garrafas se intensifica, especialmente entre crianças e idosos.
Para quem vive em cidades menores do Tocantins, como Gurupi ou Porto Nacional, o cenário não é muito diferente. A falta de acesso a água potável em alguns pontos do estado faz com que a população recorra a soluções improvisadas, como encher garrafas em poços ou nascentes sem tratamento adequado. "Em regiões onde a infraestrutura é precária, a garrafinha se torna uma necessidade, mas também um risco", comenta um morador de Porto Nacional, que prefere não se identificar.
A Secretaria Estadual de Saúde do Tocantins (SES-TO) informou que não há registros oficiais de casos de contaminação diretamente ligados ao uso de garrafas plásticas, mas reconhece a importância do tema. "Monitoramos constantemente a qualidade da água distribuída no estado, mas o uso inadequado de recipientes é uma questão que envolve hábitos culturais e falta de informação", afirmou um porta-voz da pasta.
Enquanto isso, a população segue exposta a riscos que poderiam ser evitados com medidas simples. Especialistas recomendam a substituição das garrafas a cada três meses, evitar expô-las ao sol e lavá-las com água e sabão neutro diariamente. Em Palmas, a Prefeitura já estuda campanhas de conscientização para alertar sobre os perigos, mas o desafio é grande em uma cidade onde a praticidade muitas vezes se sobrepõe à saúde.
O que fazer agora? Para quem já tem uma garrafinha em uso, a dica é descartá-la se ela apresentar rachaduras, manchas ou odor estranho. Para quem busca alternativas, opções de aço inox ou vidro — embora mais caras — são consideradas mais seguras. Mas, no fim das contas, a mudança de hábito pode ser a solução mais eficaz. Afinal, em um estado onde o calor é implacável, manter-se hidratado é essencial, mas não à custa da saúde.
A reportagem tentou contato com associações de consumidores e fabricantes de garrafas plásticas, mas até o fechamento desta matéria não obteve retorno. Enquanto isso, a população segue dividida entre a praticidade e a saúde, sem saber ao certo qual o lado certo a tomar.