Ocupação de galpões logísticos em São Paulo atinge nível histórico
Taxa de vacância cai para 4,5% no último trimestre, impulsionada pela demanda do e‑commerce, aponta estudo da CBRE

A taxa de vacância dos galpões logísticos de São Paulo registrou 4,5% no último trimestre, de acordo com a pesquisa divulgada pela consultoria CB RE. O índice representa o menor nível observado desde 2008, refletindo a forte procura de operadores de comércio eletrônico por espaços de armazenagem.
A redução da vacância aconteceu enquanto o volume de pedidos online continuou a crescer, pressionando os investidores a ampliar a oferta de áreas estratégicas próximas a vias de acesso e centros de distribuição. O estudo aponta que o mercado de e‑commerce tem sido o principal motor da movimentação, ao buscar locais que reduzam o tempo de entrega e otimizem a cadeia de suprimentos. Em resposta, proprietários de empreendimentos logísticos têm investido em upgrades de infraestrutura, como sistemas de automação e áreas de carga‑descarga mais eficientes.
Para as empresas que dependem de esses espaços, a escassez de vagas pode traduzir-se em custos de aluguel mais elevados e maior competição por contratos. Por outro lado, investidores veem a situação como um sinal de valorização dos ativos, já que a ocupação próxima ao pleno potencial tende a impulsionar o retorno sobre o capital empregado. O cenário também estimula novos projetos de desenvolvimento de galpões nos arredores da capital, onde os terrenos ainda apresentam maior disponibilidade.
A CB RE destacou que a taxa de vacância de 4,5% representa a melhor performance do setor nos últimos quase vinte anos. O relatório também menciona que a ocupação total dos galpões chegou a 95,5% no período analisado, reforçando a ideia de que a demanda supera a oferta em grande parte da região metropolitana. Segundo o executivo responsável pela pesquisa, "o ritmo acelerado do comércio eletrônico está remodelando o perfil dos usuários de espaço logístico, que agora priorizam localização e tecnologia".
O próximo trimestre deve revelar se a tendência de alta ocupação se mantém, especialmente diante de possíveis ajustes na política de crédito e na taxa de juros, fatores que influenciam o ritmo de investimentos em infraestrutura. Analistas acompanham de perto a evolução dos preços de locação e a quantidade de lançamentos de novos galpões, que podem equilibrar o mercado caso a oferta cresça em ritmo compatível com a demanda.
Com a ocupação em patamares recorde, o setor logístico de São Paulo se posiciona como um dos mais atrativos para capitais nacionais e estrangeiros, ao mesmo tempo em que impõe desafios operacionais para quem busca espaço. O acompanhamento dos indicadores de vacância e de novos desenvolvimentos será decisivo para definir os próximos movimentos dos investidores e das empresas de e‑commerce nos próximos meses.