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Morte de fisiculturista reacende alerta sobre anabolizantes em redes sociais

Gabriel Ganley, 22 anos, morreu após sofrer problema cardíaco dias depois de receber injeção de anabolizante durante transmissão ao vivo.

📝 Redação CCN01 de junho de 2026 às 17:10👁 2 leituras
Morte de fisiculturista reacende alerta sobre anabolizantes em redes sociais

Gabriel Ganley tinha apenas 22 anos quando o coração parou de bater. O fisiculturista e influenciador digital faleceu após sofrer um problema cardíaco, conforme laudo preliminar divulgado após sua morte. O caso, investigado pelo Fantástico em edição recente, trouxe de volta uma discussão incômoda que a sociedade brasileira tenta evitar: como as redes sociais transformaram o uso de substâncias perigosas em rotina de entretenimento.

O jovem havia recebido uma injeção de anabolizante durante uma transmissão ao vivo, aplicada pelo influenciador Léo Stronda. A cena foi gravada em vídeo e compartilhada nas plataformas digitais — exatamente o tipo de conteúdo que acumula visualizações, comentários e novos seguidores. Depois que a morte de Ganley repercutiu, Stronda afirmou estar arrependido.

Não é possível saber, neste momento, se a injeção aplicada no vídeo causou diretamente o falecimento de Ganley. Os exames definitivos ainda estão sendo processados. Mas a sequência dos acontecimentos ilustra bem o problema que preocupa médicos e especialistas: substâncias extremamente perigosas viraram entretenimento. Influenciadores com milhões de seguidores documentam o próprio consumo e o de outras pessoas, normalizando práticas que colocam vidas em risco.

O fenômeno não nasceu ontem. Há anos, fisiculturistas usam anabolizantes para ganhar massa muscular rapidamente. Mas o que mudou foi a escala e a visibilidade. Quando essas práticas passaram a ser transmitidas ao vivo, comentadas, celebradas e replicadas, o problema ganhou dimensões que os especialistas já não conseguem ignorar. Em plataformas como Instagram, TikTok e YouTube, o corpo exagerado e desenvolvido artificialmente virou aspiração. E o caminho para chegar lá? Disponível em um clique.

Em Tocantins, assim como em todo o Brasil, academias de musculação enfrentam pressão silenciosa. Jovens chegam aos estabelecimentos querendo resultados que levam meses para serem conquistados naturalmente. Alguns procuram atalhos. Treinadores relatam conversas sobre como conseguir anabolizantes, o que aplicar, em que dose. A influência das redes sociais torna essa busca mais fácil e mais normalizada.

O que torna essa história tão preocupante é a naturalização. Quando um influenciador com milhões de seguidores aplica uma injeção em transmissão ao vivo, a mensagem implícita é clara: isso é aceitável, é comum, é parte do jogo. Os comentários na postagem costumam ser de admiração, não de preocupação. Ninguém fala sobre os efeitos colaterais reais — inflamação no coração, pressão arterial elevada, infertilidade, tumores.

Léo Stronda pediu desculpas após a morte de Ganley. Mas o dano estava feito. Centenas de vídeos dele continuam nas redes, continuam sendo compartilhados, continuam influenciando. E novos influenciadores surgem todo dia com o mesmo tipo de conteúdo.

Médicos cardiologistas apontam que jovens fisiculturistas começam a apresentar problemas cardíacos cada vez mais cedo. Alguns aos 25, 26 anos. Antes, isso era mais comum em pessoas com 50, 60 anos. O uso prolongado de anabolizantes danifica o músculo cardíaco de forma progressiva e, muitas vezes, irreversível.

O caso de Gabriel Ganley é um lembrete cruel de que por trás de cada vídeo viral, cada foto de músculos desenvolvidos e cada transmissão ao vivo, há uma pessoa de verdade. Com um coração que bate. Com uma mãe que o perdeu. Com amigos que viram aquilo acontecer e não conseguiram fazer nada.

O debate que precisa acontora não é apenas sobre anabolizantes. É sobre responsabilidade. É sobre o que as redes sociais permitem, o que as plataformas monetizam, e o que a sociedade está disposta a tolerar em nome do entretenimento e da admiração por corpos impossíveis.

Enquanto os exames de Gabriel Ganley continuam sendo processados, especialistas já sabem o que encontrarão. E a pergunta que fica é: quantos mais precisam morrer para que algo mude?