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Futebol une aposentadas no interior do Tocantins

Grupo de mulheres em Araguaína usa esporte para saúde e laços sociais duas vezes por semana

📝 Redação CCN22 de julho de 2026 às 01:59👁 1 leituras
Futebol une aposentadas no interior do Tocantins

As Maiani Soccer Grannies, como são chamadas as aposentadas que jogam futebol em Araguaína, no norte do Tocantins, transformaram a rotina de aposentadoria em um espaço de movimento, risadas e novas amizades. Duas vezes por semana, elas deixam os afazeres domésticos de lado e se reúnem no campo para driblar a inatividade que, muitas vezes, acompanha a terceira idade. A iniciativa, que começou como um hobby, virou sinônimo de saúde física e mental para um grupo que descobriu no esporte uma forma de envelhecer com mais disposição e alegria.

O time, que já tem mais de 20 integrantes, surgiu há dois anos quando a professora aposentada Maria das Dores, de 68 anos, decidiu reunir as colegas para praticar atividade física. "A gente só ficava em casa, reclamando da vida. Até que uma amiga sugeriu: 'por que não jogamos futebol?'", conta ela, que hoje é uma das capitãs do time. A ideia pegou entre as mulheres do bairro São João, um dos mais populosos de Araguaína, onde a maioria das jogadoras mora. O que começou com um grupo pequeno, hoje atrai até mesmo vizinhas que não são aposentadas, mas querem se exercitar. "O futebol não tem idade. A gente corre, chuta, brinca e ainda cuida da saúde", diz Maria das Dores, que já perdeu 10 quilos desde que entrou para o time.

Para as mulheres, o esporte virou um escape do isolamento que muitas enfrentam após a aposentadoria. No Tocantins, onde a expectativa de vida das mulheres é de 78 anos — acima da média nacional —, iniciativas como essa ganham ainda mais relevância. Segundo dados da Secretaria Estadual de Saúde, doenças como diabetes e hipertensão são comuns entre idosos, e a prática regular de exercícios físicos é uma das formas mais eficazes de prevenção. "Aqui, a gente não só se movimenta, como também cria laços que a gente não tinha mais", conta Joana Silva, de 72 anos, que há um ano se juntou ao time. "Antes, eu só via televisão. Agora, tenho um compromisso duas vezes por semana e amigos novos."

O grupo não tem patrocinadores nem uniformes oficiais, mas isso não desanima as jogadoras. Elas se reúnem no campo do bairro São João, cedido pela prefeitura, e usam camisetas velhas ou camisas de times de futebol para marcar o time. "A gente não precisa de luxo. O importante é estar junto, rir e se mexer", afirma Maria das Dores. A prefeitura de Araguaína, por meio da Secretaria Municipal de Esporte e Lazer, já sinalizou interesse em apoiar o projeto, oferecendo capacitação para as jogadoras e até mesmo a possibilidade de inscrever o time em campeonatos amadores da região.

O fenômeno das Maiani Soccer Grannies reflete uma mudança de mentalidade que começa a ganhar força no Tocantins. Em Palmas, por exemplo, projetos como o "Viver Bem", da Secretaria Municipal de Saúde, já incluem aulas de dança e caminhadas para idosos, mas iniciativas lideradas por mulheres aposentadas ainda são raras. "A gente precisa de mais espaços como esse, onde as mulheres possam se sentir ativas e valorizadas", defende a professora aposentada. Para ela, o futebol é apenas o começo: "Quem sabe a gente não vira um time oficial e até representa o Tocantins em algum torneio?"

A história das Maiani Soccer Grannies já circula em grupos de idosos de Araguaína e começa a chamar atenção em outras cidades do estado. Em Gurupi, por exemplo, um grupo de aposentadas da terceira idade já pediu informações sobre como montar um time semelhante. "A gente quer mostrar que a idade não é desculpa para ficar parada", diz Maria das Dores, que já recebeu convites para dar palestras em asilos e centros de convivência. O esporte, afinal, não tem idade — e muito menos fronteiras.

Enquanto a prefeitura de Araguaína avalia formas de apoiar o projeto, as jogadoras seguem treinando duas vezes por semana, sempre com a mesma disposição. "A gente não vai parar tão cedo", garante Joana Silva. "O futebol é nossa terapia, nossa turma e nossa saúde."