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Fundo imobiliário corta arrendamento no Centro-Oeste por falta de pagamento

Riza Terrax rescinde contrato de fazenda em Goiás após calote de R$ 1,2 milhão em abril; IFIX recua 1,5%

📝 Redação CCN24 de junho de 2026 às 11:28👁 18 leituras
Fundo imobiliário corta arrendamento no Centro-Oeste por falta de pagamento

O fundo imobiliário Riza Terrax (RZTR11) rompeu o contrato de arrendamento da Fazenda Bom Jardim, localizada em Cristalina (GO), após o produtor rural não honrar uma dívida de R$ 1,2 milhão com vencimento em abril. A decisão, formalizada em fato relevante na última segunda-feira, expôs a fragilidade de operações no agronegócio quando o fluxo de caixa dos arrendatários é interrompido, mesmo em um setor que movimenta mais de R$ 200 bilhões anualmente no Brasil.

A fazenda, que tem área de 2,5 mil hectares e é especializada em soja e milho, integra o portfólio do fundo desde 2020. O arrendatário, que não foi identificado, deixou de pagar a parcela dentro do prazo estipulado, e a administração do RZTR11 não teve alternativa senão acionar a rescisão contratual. Segundo o comunicado ao mercado, o fundo já havia tentado renegociar a dívida, mas sem sucesso. A notícia abalou o Índice de Fundos de Investimento Imobiliário (IFIX), que recuou 1,5% no mesmo dia, refletindo a aversão dos investidores a riscos em um segmento já pressionado pela alta dos juros e pela queda nos preços das commodities agrícolas.

Para o Tocantins, estado vizinho a Goiás e fortemente ligado ao agronegócio, o episódio serve de alerta. A região é responsável por cerca de 10% da produção nacional de grãos, e a crise de liquidez em fazendas arrendadas pode se espalhar, especialmente em um momento em que os produtores enfrentam custos elevados com insumos e frete. Empresas do setor no estado, como cooperativas e tradings, já relatam dificuldades para renovar contratos de arrendamento, temendo novos calotes. "O problema não é apenas a falta de pagamento, mas a incerteza sobre a capacidade de honrar compromissos em um ciclo de preços baixos", afirmou um analista do mercado de capitais que pediu anonimato.

O Riza Terrax, que tem patrimônio líquido de R$ 500 milhões, informou que buscará um novo arrendatário para a Fazenda Bom Jardim ou, em último caso, colocará o imóvel à venda. A decisão deve ser tomada nas próximas semanas, mas o processo pode esbarrar na baixa liquidez do mercado imobiliário rural, agravada pela crise econômica. O fundo também estuda acionar medidas judiciais contra o antigo arrendatário para recuperar parte do prejuízo, que ainda não foi quantificado publicamente.

O caso ganha relevância nacional ao mostrar como a cadeia do agronegócio — desde o pequeno produtor até os grandes fundos — está exposta a riscos financeiros em um ambiente de juros altos e demanda instável. No Tocantins, onde a agricultura familiar e o agronegócio de grande escala convivem lado a lado, a notícia reforça a necessidade de planejamento financeiro rigoroso. "Se um fundo de R$ 500 milhões enfrenta problemas com um único arrendatário, imagine o que pode acontecer com quem opera com margens apertadas", comentou um produtor de Gurupi (TO), que preferiu não ser identificado.

Enquanto o Riza Terrax avalia seus próximos passos, o mercado aguarda para ver se a rescisão será um caso isolado ou o início de uma onda de inadimplências no setor. A Fazenda Bom Jardim, por enquanto, segue parada, com suas plantações de soja e milho à espera de um novo responsável — ou de um comprador disposto a assumir os riscos de um negócio que, há poucos meses, parecia promissor.