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Chuvas acima da média podem chegar ao Tocantins em agosto e setembro

Fundação ABC prevê precipitações acima do normal para o período, alertando produtores rurais e gestores públicos

📝 Redação CCN10 de julho de 2026 às 13:44👁 3 leituras
Chuvas acima da média podem chegar ao Tocantins em agosto e setembro

A Fundação ABC divulgou na última semana de junho um boletim climático que acende um sinal amarelo para o Tocantins: agosto e setembro devem registrar chuvas acima da média histórica no estado. O alerta, que chega em um momento crítico para a agricultura local, exige atenção de quem depende do clima para garantir safras e estoques.

A previsão não é apenas um dado meteorológico. Para o Tocantins, onde a economia ainda respira forte graças ao agronegócio, a notícia pode significar tanto oportunidades quanto desafios. Lavouras de soja, milho e arroz, principais culturas do estado, dependem diretamente das condições climáticas. Se as chuvas se confirmarem, produtores de regiões como Gurupi, Porto Nacional e Dianópolis terão que se preparar para manejar o excesso de umidade no solo, evitando prejuízos com encharcamento ou doenças nas plantas.

Já em áreas urbanas, como Palmas e Araguaína, o cenário exige planejamento dos órgãos públicos. A Defesa Civil do Tocantins, por exemplo, já estuda estratégias para evitar alagamentos em bairros como o Centro de Palmas ou a região do Taquaralto, onde enchentes recorrentes já são um problema conhecido. A Companhia de Saneamento do Tocantins (Sanecap) também monitora a situação, pois o aumento das chuvas pode sobrecarregar sistemas de drenagem e esgoto, especialmente em cidades com infraestrutura ainda em expansão.

O boletim da Fundação ABC não é uma novidade para quem acompanha o clima no Tocantins. Desde o início do ano, instituições como a Embrapa e o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) vêm alertando para a possibilidade de um fenômeno climático atípico. A Oscilação Sul-El Niño, que influencia o regime de chuvas na região, está em fase de transição, o que pode explicar a mudança nos padrões esperados. Em junho, por exemplo, já foram registradas precipitações acima da média em municípios como Araguaína e Colinas do Tocantins, um indício de que o cenário pode se repetir nos próximos meses.

Para os pecuaristas, a notícia também tem peso. Regiões como o Bico do Papagaio, onde a atividade é intensa, dependem de pastagens saudáveis. O excesso de chuva pode atrapalhar o crescimento do capim, forçando os produtores a buscar alternativas como a silagem ou a compra de ração. Já os agricultores familiares, espalhados por municípios como Miracema do Tocantins e Guaraí, precisam se atentar ao calendário de plantio. Se as chuvas atrasarem, a semeadura pode ser prejudicada, afetando a renda de milhares de famílias.

A Fundação ABC, que há décadas acompanha o clima no Brasil Central, reforça que o planejamento é a palavra-chave. Em entrevista ao portal Capital da Notícia, o meteorologista responsável pelo boletim, Dr. Paulo César Sentelhas, destacou que a previsão não é uma certeza, mas uma tendência. "O Tocantins precisa estar preparado para o cenário mais úmido, mas também para a possibilidade de que as chuvas não se concretizem como esperado", afirmou. Segundo ele, a variabilidade climática exige que produtores e gestores não dependam apenas das previsões, mas também de tecnologias como irrigação e drenagem eficientes.

A Secretaria de Estado da Agricultura, Pecuária e Aquicultura (Seagro) já anunciou que vai intensificar o acompanhamento das lavouras em parceria com a Emater. O objetivo é orientar os produtores sobre o manejo adequado do solo e a escolha de cultivares mais resistentes à umidade. Em Palmas, a prefeitura estuda a liberação de recursos para obras de drenagem em áreas críticas, como o entorno do lago do Parque Cesamar, onde alagamentos já foram registrados em anos anteriores.

O que resta agora é aguardar os próximos boletins climáticos e torcer para que as chuvas, se vierem, tragam mais benefícios do que prejuízos. Para o Tocantins, um estado que ainda luta para reduzir a dependência de fatores externos na sua economia, cada gota a mais ou a menos faz diferença. Enquanto isso, produtores, gestores e moradores das cidades já começam a se preparar para o que pode vir pela frente.

A Fundação ABC promete atualizar suas previsões até o final de julho, com dados mais precisos sobre a intensidade e distribuição das chuvas. Até lá, a palavra de ordem é cautela. Afinal, no Tocantins, o clima não é apenas um assunto de previsão do tempo — é uma questão de sobrevivência.