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Sequestrada por 23 anos na Coreia do Norte, vítima revela casamento forçado

Mulher sequestrada em 1978 viveu décadas em cativeiro e foi obrigada a se casar com um soldado estrangeiro

📝 Redação CCN30 de agosto de 2026 às 17:21👁 9 leituras
Sequestrada por 23 anos na Coreia do Norte, vítima revela casamento forçado

Hitomi Soga não imaginava que um dia seria arrancada de sua vida normal para viver um pesadelo de mais de duas décadas. Em 1978, aos 19 anos, ela foi sequestrada na costa do Japão por agentes norte-coreanos. Durante 23 anos, permaneceu em cativeiro, até ser libertada em 2001, quando a Coreia do Norte admitiu pela primeira vez a prática de sequestros de cidadãos estrangeiros.

O caso de Soga é um dos pelo menos 17 registros oficiais de sequestros de japoneses pela Coreia do Norte entre as décadas de 1970 e 1980. Segundo investigações posteriores, os sequestros faziam parte de um plano sistemático do regime norte-coreano para treinar espiões e sequestradores. As vítimas eram levadas à força para o país, onde eram submetidas a treinamentos intensivos e, em alguns casos, obrigadas a se casar com estrangeiros — como ocorreu com Soga, que foi forçada a se unir a um homem dos Estados Unidos.

A revelação do casamento forçado chocou o mundo quando veio à tona anos depois. Soga contou que, após anos de isolamento e controle rígido, foi apresentada a um homem identificado como um soldado americano capturado. A união, segundo ela, não foi uma escolha, mas uma imposição do regime. "Não havia como recusar. Era uma ordem", declarou em depoimentos posteriores. A Coreia do Norte nunca confirmou oficialmente a existência desse tipo de união forçada, mas documentos desclassificados e relatos de outras vítimas sustentam a prática.

O impacto dessas décadas de cativeiro vai além do sofrimento pessoal de Soga. O caso expôs uma rede de sequestros que durou anos e envolveu não apenas japoneses, mas também cidadãos de outros países. Em 2002, o então líder norte-coreano, Kim Jong-il, admitiu a prática e devolveu cinco sequestrados ao Japão, incluindo Soga. No entanto, o regime nunca forneceu explicações completas sobre o destino das outras vítimas, nem sobre os motivos por trás dos sequestros.

Os relatos de Soga e de outras vítimas ajudaram a pressionar governos internacionais a cobrarem respostas da Coreia do Norte. Em 2004, um relatório da ONU classificou os sequestros como crimes contra a humanidade, exigindo que o regime prestasse contas. Até hoje, familiares de desaparecidos continuam sem respostas definitivas sobre o paradeiro de seus entes queridos.

A história de Soga também levantou questões sobre a impunidade do regime norte-coreano. Mesmo após a admissão parcial dos sequestros, nenhum responsável foi punido. A Coreia do Norte alegou que os casos haviam sido resolvidos com a devolução de algumas vítimas, mas ativistas e governos estrangeiros seguem exigindo transparência total.

Hoje, Soga vive em um país não identificado, longe da Coreia do Norte, mas sua luta por justiça continua. Ela se tornou uma das vozes mais ouvidas entre as vítimas, testemunhando em fóruns internacionais sobre os horrores do cativeiro. Enquanto isso, organizações de direitos humanos mantêm a pressão para que o regime norte-coreano libere informações sobre os desaparecidos e permita visitas de familiares aos sequestrados ainda vivos.

O caso de Hitomi Soga é um lembrete brutal de como regimes autoritários podem operar com impunidade por décadas. Sua história, embora única em detalhes, representa uma sombra que ainda paira sobre as relações internacionais, especialmente em relação à Coreia do Norte. Enquanto o mundo espera por respostas, as vítimas e suas famílias seguem em busca de um desfecho que, até agora, parece cada vez mais distante.