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Frigoríficos param exportação de carne para China antes do prazo

Exportadores brasileiros atingem limite de 1,1 milhão de toneladas e interrompem vendas para o mercado asiático

📝 Redação CCN05 de julho de 2026 às 10:22👁 3 leituras
Frigoríficos param exportação de carne para China antes do prazo

Os principais frigoríficos do Brasil já não enviam mais carne bovina in natura para a China. A decisão veio depois que o volume exportado pelo país atingiu a cota anual de 1,1 milhão de toneladas, limite que só seria cumprido até 2026. Em junho, as vendas para o mercado chinês bateram 158,3 mil toneladas, o maior volume registrado no ano e suficiente para esgotar o acordo antes do previsto.

A interrupção afeta diretamente os produtores tocantinenses, que têm no estado um dos principais polos de pecuária do país. O Tocantins é o quarto maior rebanho bovino do Brasil, com cerca de 8,5 milhões de cabeças, segundo dados da Agência de Defesa Agropecuária (Adapec). A região de Araguaína, Gurupi e a microrregião de Porto Nacional concentram grande parte da atividade, que movimenta a economia local com a venda de animais para abate e exportação. Com a cota esgotada, os frigoríficos agora precisam buscar novos mercados ou reduzir a produção, o que pode pressionar os preços no mercado interno.

O fechamento das exportações para a China não é uma surpresa para quem acompanha o setor. Desde o início do ano, os frigoríficos brasileiros vinham aumentando os embarques para o país asiático, aproveitando a alta demanda por carne de qualidade. No entanto, o ritmo acelerado levou ao esgotamento da cota antes do esperado. A Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo) já havia alertado que, caso as vendas continuassem nesse ritmo, o limite poderia ser atingido ainda em 2024. Agora, a expectativa é de que os exportadores busquem alternativas como a União Europeia, Estados Unidos e países do Oriente Médio para escoar a produção.

Para os pecuaristas tocantinenses, a notícia chega em um momento delicado. O estado tem investido em programas de sanidade animal e melhoria genética do rebanho, com apoio da Secretaria da Agricultura, Pecuária e Aquicultura (Seagro). No entanto, a dependência do mercado chinês — que absorve cerca de 40% das exportações brasileiras de carne — deixa os produtores em alerta. "A China é um cliente estratégico, mas precisamos diversificar. Se não encontrarmos novos compradores, a pressão sobre os preços internos vai aumentar", afirmou um produtor de Araguaína, que preferiu não se identificar.

A Adapec informou que está monitorando a situação e orientando os produtores a buscar alternativas de comercialização. "Estamos em contato com as associações de produtores para avaliar os impactos e ajudar na busca por novos mercados", declarou o diretor-presidente da autarquia, Thiago Dourado. Enquanto isso, a Seagro estuda a possibilidade de incentivar a venda de cortes menos valorizados no exterior para o mercado interno, como forma de equilibrar a oferta e a demanda.

A paralisação das exportações para a China não deve durar muito tempo. Segundo analistas do setor, assim que a cota for renovada — o que deve acontecer no início de 2025 —, os embarques devem ser retomados. Até lá, os frigoríficos brasileiros terão que se adaptar a um cenário de menor volume de vendas externas, o que pode refletir em preços mais baixos para o consumidor final. Para os pecuaristas tocantinenses, a lição é clara: a diversificação de mercados precisa ser prioridade.

A notícia também chega em um momento em que o Tocantins discute a ampliação de sua participação no mercado internacional. O estado tem investido em logística, como a melhoria da BR-153, que liga Araguaína a Belém, facilitando o escoamento da produção. Além disso, a Ferrovia Norte-Sul, que corta o estado, deve entrar em operação plena nos próximos anos, reduzindo os custos de transporte. "A infraestrutura é fundamental para que possamos competir em igualdade com outros estados", afirmou o secretário da Seagro, Thiago Dourado.

Enquanto isso, os consumidores brasileiros podem esperar uma leve queda nos preços da carne nos próximos meses, devido à redução das exportações. No entanto, os pecuaristas não devem comemorar. A incerteza no mercado externo pode levar a uma queda nos preços pagos aos produtores, o que afeta diretamente a renda das famílias que dependem da atividade. Para o Tocantins, que tem na pecuária uma das principais fontes de arrecadação, o desafio agora é encontrar saídas rápidas para não comprometer o setor.