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Senador defende modelo de segurança de Bukele e critica Lula

Flávio Bolsonaro se reúne com ministro da Justiça de El Salvador e propõe criar pasta de Segurança Pública em eventual governo

📝 Redação CCN30 de agosto de 2026 às 18:42👁 11 leituras
Senador defende modelo de segurança de Bukele e critica Lula

O senador Flávio Bolsonaro esteve em El Salvador na última semana para uma reunião com o ministro da Justiça e Segurança Pública do governo de Nayib Bukele. Durante o encontro, o parlamentar afirmou ter se inspirado na política de combate ao crime do país centro-americano e anunciou que, se eleito, criaria um Ministério da Segurança Pública no Brasil. A proposta surge em meio a críticas contundentes ao governo federal, especialmente à gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a quem acusou de "defender bandidos".

A visita de Flávio Bolsonaro a El Salvador não foi casual. O país tem sido apontado internacionalmente como um exemplo de redução da criminalidade após a implementação de medidas duras contra gangues e o fortalecimento das forças de segurança. O ministro salvadorenho, ao lado do senador brasileiro, destacou a importância da colaboração entre os dois governos para enfrentar o crime organizado. Flávio Bolsonaro, por sua vez, não escondeu sua admiração pelo modelo, chegando a classificar a política de Bukele como uma referência a ser seguida.

A proposta de criar um ministério específico para a segurança pública não é nova na agenda do parlamentar. Em 2022, durante a campanha eleitoral, ele já havia defendido a ideia, mas agora a coloca como prioridade caso vença as eleições presidenciais. A justificativa, segundo suas próprias palavras, é a necessidade de centralizar as ações contra o crime, que, na avaliação dele, têm sido negligenciadas pelo governo atual. "O Brasil precisa de uma política séria de segurança, não de conversas vazias", afirmou durante a reunião.

As críticas ao presidente Lula não ficaram restritas ao campo das ideias. Flávio Bolsonaro foi direto ao afirmar que a gestão federal "defende bandidos", uma acusação que reforça o tom polarizado do debate político brasileiro. A fala não passou despercebida e já gera reações entre aliados e opositores. Enquanto seus apoiadores comemoram a postura firme, setores da sociedade e especialistas em segurança pública questionam se a replicação de modelos estrangeiros é viável no contexto brasileiro, marcado por realidades sociais e estruturais distintas.

A repercussão da viagem e das declarações do senador deve se estender nos próximos dias, especialmente entre os eleitores e analistas políticos. A proposta de um ministério da segurança pública, se levada adiante, poderia redefinir a agenda de segurança do país, mas também esbarra em questões como orçamento, autonomia dos estados e a própria eficácia das políticas de Bukele, que, apesar dos resultados positivos em El Salvador, ainda são alvo de críticas de organizações de direitos humanos.

O próximo passo agora é aguardar os desdobramentos da proposta. Flávio Bolsonaro deve apresentar mais detalhes sobre o projeto em eventos políticos e entrevistas, enquanto o governo federal não se pronunciou oficialmente sobre as acusações. A sociedade, por sua vez, terá que avaliar se a inspiração em modelos estrangeiros é suficiente para resolver problemas crônicos como a violência urbana no Brasil.