AO VIVO
Brasil

Dino cobra explicações de 21 partidos sobre emendas parlamentares

Flávio Dino, do STF, intimou legendas a detalhar repasses de recursos após fala de Valdemar Costa Neto no Congresso 12/06/2024

📝 Redação CCN15 de julho de 2026 às 17:15👁 8 leituras
Dino cobra explicações de 21 partidos sobre emendas parlamentares

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, abriu uma nova frente de fiscalização sobre o uso de emendas parlamentares no Congresso Nacional. Nesta terça-feira (11), ele intimou 21 partidos políticos a prestarem contas detalhadas sobre como os recursos das emendas — que somam bilhões anualmente — foram direcionados nos últimos anos. A medida surge após declarações do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, que admitiu em entrevista à imprensa a existência de um sistema de distribuição de emendas com viés político-partidário, o que levantou suspeitas sobre possíveis irregularidades.

A intimação não é um ato isolado. Faz parte de uma investigação mais ampla que o STF já conduz sobre o uso de verbas públicas por parlamentares, especialmente aquelas que escapam dos mecanismos tradicionais de controle. As emendas parlamentares são recursos que deputados e senadores podem destinar a projetos específicos, muitas vezes em suas bases eleitorais ou para aliados políticos. No entanto, críticos apontam que o sistema permite desvios, como a contratação de empresas fantasmas ou a direcionamento de obras para regiões onde o partido tem interesse eleitoral. A fala de Costa Neto, que não citou nomes, mas admitiu que o PL recebia emendas de forma estratégica, acendeu o sinal amarelo no Judiciário.

Os partidos intimados incluem legendas de todos os espectros políticos, desde o PT até o Republicanos, passando pelo PSD e pelo próprio PL. Segundo informações do STF, a lista foi elaborada com base em dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e de relatórios da Controladoria-Geral da União (CGU), que já haviam identificado indícios de irregularidades em repasses anteriores. A intimação pede que os partidos apresentem, em até 15 dias, documentos que comprovem a legalidade dos repasses, como contratos, notas fiscais e comprovantes de execução das obras ou serviços financiados. Caso não haja resposta ou se os documentos apresentarem inconsistências, o caso poderá ser encaminhado ao Ministério Público Federal (MPF) para apuração de possíveis crimes como peculato, fraude em licitação ou lavagem de dinheiro.

Para o Tocantins, a notícia tem um peso adicional. O estado é um dos que mais recebem recursos via emendas parlamentares no Norte do Brasil, segundo dados do Portal da Transparência. Em 2023, por exemplo, deputados federais tocantinenses destinaram mais de R$ 150 milhões em emendas a obras como pavimentação de rodovias, construção de escolas e postos de saúde. A fiscalização do STF, portanto, pode afetar diretamente a execução de projetos que dependem desses recursos. Prefeitos e gestores municipais do estado já começam a se preocupar com possíveis atrasos ou até mesmo a suspensão de obras caso os repasses sejam bloqueados durante as investigações.

A medida de Dino também reacende o debate sobre a transparência no uso de emendas. Desde 2020, o Congresso aprovou leis que obrigam os parlamentares a tornarem públicos os beneficiários das emendas, mas a prática ainda enfrenta resistência. Em 2023, uma pesquisa do Observatório Social do Brasil revelou que 40% das emendas parlamentares não tinham informações claras sobre o destino final dos recursos. A falta de clareza, segundo especialistas ouvidos pela imprensa, facilita a ocorrência de desvios e a falta de prestação de contas.

O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou em nota que a fala dele foi mal interpretada e que o partido sempre atuou dentro da legalidade. "As emendas são ferramentas legítimas de representação parlamentar, mas é natural que haja fiscalização", declarou. Já o ministro Flávio Dino não se pronunciou publicamente sobre a intimação, mas fontes do STF indicam que a investigação deve se estender por meses. Enquanto isso, os partidos intimados têm até o dia 26 de junho para apresentar os documentos solicitados. Caso contrário, poderão enfrentar sanções administrativas e judiciais.

O caso coloca em xeque não apenas a lisura dos partidos, mas também a eficácia dos mecanismos de controle do Estado. Com eleições municipais se aproximando, a fiscalização sobre o uso de recursos públicos ganha ainda mais relevância. No Tocantins, gestores e cidadãos já começam a cobrar respostas rápidas do Congresso e do Judiciário para evitar prejuízos à população. A transparência, afinal, não pode esperar.