Flávio Bolsonaro busca maioria de direita para reformar Constituição
Pré-candidato à Presidência quer quórum no Congresso para mudanças constitucionais e enquadrar instituições

O senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência da República pelo PL do Rio de Janeiro, declarou na segunda-feira que pretende formar uma maioria de direita no Congresso Nacional. Seu objetivo é conseguir votos suficientes para aprovar emendas constitucionais e, segundo ele, fazer com que as instituições voltem a atuar dentro de seus limites.
A declaração marca mais um passo na estratégia política do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, que vem se movimentando para ganhar apoio antes das eleições presidenciais de 2026. Flávio busca articular uma base parlamentar que seja não apenas numericamente forte, mas ideologicamente alinhada com sua visão de governo.
Para entender o peso dessa fala, é preciso lembrar que mudar a Constituição no Brasil exige uma votação especial. Precisa-se de três quintos dos deputados e senadores em duas votações separadas — isso significa pelo menos 308 votos na Câmara e 49 no Senado. Não é uma tarefa simples. Formar essa maioria é o que Flávio chama de "maioria de direita".
O discurso sobre "instituições dentro de seus limites" é frequente entre aliados de Bolsonaro e críticos do que chamam de "ativismo judicial". Para quem acompanha a política brasileira, essa frase faz referência à tensão entre o Supremo Tribunal Federal e o Palácio do Planalto, especialmente durante o governo anterior. O senador sugere que algumas instituições ultrapassaram seus poderes legais e que mudanças constitucionais corrigiriam isso.
Flávio Bolsonaro não é um nome novo no cenário político. Ele foi deputado federal, depois vereador no Rio e hoje ocupa uma cadeira no Senado. Sua proximidade com o ex-presidente lhe dá força e visibilidade junto ao eleitorado bolsonarista. Mas a pré-candidatura dele ainda divide opiniões dentro da própria direita brasileira, com outros nomes também disputando espaço.
A estratégia de anunciar essas intenções agora, com ainda dois anos para as eleições, tem o objetivo de começar a estruturar alianças. Flávio sabe que não conseguirá essa maioria sozinho. Precisa de apoio de outros partidos de direita, como União Brasil, Republicanos e Progressistas. Mas também pode precisar de votos fora dessa ala ideológica para atingir os números necessários.
Para o leitor tocantinense, vale notar que Tocantins tem uma delegação parlamentar pequena em comparação a estados maiores. Mas a força política do estado na articulação nacional cresce conforme suas bancadas se alinham com projetos maiores. Qualquer mudança constitucional que venha a ocorrer nos próximos anos afetará diretamente políticas de educação, saúde, infraestrutura e economia que impactam a vida das pessoas no estado.
As consequências dessa movimentação política são múltiplas. Se Flávio conseguir eleger essa maioria e aprovar emendas constitucionais, o Brasil pode passar por transformações importantes no funcionamento do Estado. Mas também há riscos: mudanças apressadas na Constituição podem gerar instabilidade jurídica e afastar investimentos.
Por enquanto, a declaração de Flávio funciona como um termômetro político. Mostra que o campo da direita está se reorganizando e que a polarização que caracterizou o governo Bolsonaro não desapareceu. Também revela que, para alguns setores políticos, questões constitucionais continuam no centro do debate.
Os próximos meses dirão se essa estratégia de construção de maioria consegue sair do papel ou se fica apenas nas falas de campanha. Enquanto isso, a política brasileira segue seu jogo de alianças e desalianças, e Tocantins, como todo o País, observa os movimentos que podem redesenhar a estrutura do Estado.