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MP do Pará interdita pontos de açaí após surto de Chagas

Fiscalização em Ananindeua, na Grande Belém, fechou 8 estabelecimentos após 40 casos confirmados no primeiro trimestre de 2026

📝 Redação CCN25 de junho de 2026 às 23:48👁 7 leituras
MP do Pará interdita pontos de açaí após surto de Chagas

A Justiça do Pará interditou oito pontos de venda e produção de açaí em Ananindeua, na Região Metropolitana de Belém, após uma operação do Ministério Público estadual identificar riscos sanitários que podem ter agravado um surto de Doença de Chagas no município. A ação, realizada na última terça-feira (23), fiscalizou 20 estabelecimentos e confirmou irregularidades em metade deles, incluindo falta de higiene e condições que favorecem a proliferação do *Trypanosoma cruzi*, parasita transmitido pelo barbeiro.

O surto, registrado no primeiro trimestre de 2026, já soma 40 casos confirmados e quatro mortes, segundo dados da Secretaria Municipal de Saúde de Ananindeua. A doença, que antes era associada a zonas rurais, vem preocupando autoridades por sua rápida disseminação em áreas urbanas, onde o açaí contaminado pode ser a principal via de infecção. A fiscalização não apenas interditou os estabelecimentos flagrados em situação irregular, como também recolheu amostras para análise laboratorial, que devem apontar a presença do parasita em equipamentos ou insumos.

Para os moradores de Ananindeua, a notícia chega em um momento de alerta. A cidade, conhecida pela forte tradição no consumo de açaí, viu o produto se tornar um símbolo de risco sanitário overnight. "A gente sempre comprou açaí aqui, mas agora não sabe mais em quem confiar", desabafou Maria Silva, 48 anos, dona de uma lanchonete no centro da cidade. Ela conta que, desde o início do surto, seus clientes passaram a questionar a procedência do ingrediente. "Antes, ninguém perguntava de onde vinha o açaí. Agora, todo mundo quer saber se foi batido na hora, se a polpa é de confiança", completa.

A operação foi coordenada pelo Ministério Público do Pará (MPPA) em parceria com a Vigilância Sanitária municipal e a Polícia Civil. Segundo o promotor responsável, a fiscalização priorizou estabelecimentos com histórico de denúncias ou que operavam sem alvará sanitário. "Não é apenas uma questão de higiene, mas de saúde pública. O açaí contaminado pode matar, e precisamos agir rápido para evitar novos casos", afirmou o promotor em entrevista coletiva após a ação.

Os oito pontos interditados terão que se adequar às normas sanitárias antes de reabrir. A Vigilância Sanitária local informou que, além das interdições, emitiu notificações para os outros 12 estabelecimentos fiscalizados, que agora têm 15 dias para regularizar suas atividades. Caso não cumpram as exigências, também serão interditados. A prefeitura de Ananindeua anunciou ainda a intensificação de campanhas de conscientização sobre os riscos do consumo de açaí sem procedência garantida.

O caso reacende discussões sobre a fiscalização de alimentos em todo o país, especialmente em regiões onde o açaí é um produto cultural e econômico forte. No Tocantins, por exemplo, o fruto é amplamente consumido, mas a vigilância sanitária estadual garante que não há registros de surtos semelhantes. "Aqui, a cadeia produtiva do açaí é monitorada de perto, mas nunca é demais reforçar os cuidados", afirmou um técnico da Agência de Defesa Agropecuária do Tocantins (Adapec).

Enquanto Ananindeua lida com as consequências do surto, a população local aguarda os resultados das análises laboratoriais, que devem ser divulgados em até 30 dias. Até lá, a dúvida persiste: quantos outros estabelecimentos podem estar operando na ilegalidade? A resposta, infelizmente, só o tempo dirá.