Fiscalização do TCE flagra falhas graves em hospital de Brejinho de Nazaré
Auditoria do Tribunal de Contas do Estado aponta ausência de farmacêutico e problemas no controle de medicamentos no hospital municipal

O Hospital Municipal de Brejinho de Nazaré, no sul do Tocantins, está com a gestão sob suspeita. Uma fiscalização do Tribunal de Contas do Estado (TCE-TO), concluída recentemente, identificou falhas críticas na estrutura, no atendimento e, principalmente, na área farmacêutica da unidade. Entre os problemas mais graves, está a ausência de um responsável técnico na farmácia do hospital, o que fere normas sanitárias e coloca em risco a segurança dos pacientes. Além disso, o controle de estoque de medicamentos foi considerado inadequado, segundo o relatório da auditoria.
A vistoria, que faz parte de um ciclo de fiscalizações rotineiras em unidades de saúde do estado, foi realizada entre os meses de maio e junho deste ano. O hospital de Brejinho de Nazaré, que atende uma população de cerca de 10 mil habitantes, é referência para moradores de municípios vizinhos como Pium e Porto Nacional. A falta de um farmacêutico responsável pela farmácia local não é apenas uma irregularidade burocrática: ela expõe pacientes a riscos como a administração de medicamentos vencidos ou em doses incorretas. O controle de estoque irregular, por sua vez, pode levar a desabastecimentos ou ao acúmulo de produtos sem validade, prejudicando ainda mais o atendimento.
Para quem depende do SUS no interior do Tocantins, a notícia chega em um momento delicado. O estado já enfrenta desafios na saúde pública, como a falta de médicos em várias cidades e a superlotação em hospitais de referência. Em Brejinho de Nazaré, a situação é ainda mais crítica porque a unidade é a única com leitos de internação na região. Moradores relatam que, em casos de emergência, precisam se deslocar até Palmas ou Gurupi, percorrendo mais de 100 quilômetros em estradas muitas vezes precárias. A fiscalização do TCE, portanto, não é apenas um problema administrativo: ela afeta diretamente a vida de quem precisa de atendimento rápido e seguro.
O relatório da auditoria, obtido pela reportagem, detalha ainda outros problemas estruturais no hospital. A falta de manutenção em equipamentos, como aparelhos de raio-X e respiradores, foi apontada como uma das principais deficiências. Além disso, a equipe de enfermagem foi considerada insuficiente para o volume de atendimentos, o que pode comprometer a qualidade do serviço prestado. O documento também menciona a ausência de protocolos claros para o armazenamento de medicamentos controlados, o que facilita erros na dispensação.
O prefeito de Brejinho de Nazaré, José Raimundo da Silva, foi notificado sobre as irregularidades e tem até 30 dias para apresentar um plano de ação corretiva. Caso não cumpra as exigências, o município pode sofrer sanções, como a retenção de repasses estaduais e federais para a saúde. A Secretaria Municipal de Saúde, por meio de nota, informou que já iniciou tratativas para regularizar a situação, mas não detalhou quais medidas serão adotadas. O TCE, por sua vez, não se pronunciou publicamente sobre o caso até o fechamento desta edição.
A fiscalização no Hospital de Brejinho de Nazaré é mais um exemplo de como a saúde pública no Tocantins ainda patina em questões básicas. Enquanto a capital Palmas recebe investimentos em obras e equipamentos, cidades do interior seguem lutando por estruturas mínimas. A população, que paga impostos para garantir serviços de qualidade, muitas vezes é obrigada a se virar com o que tem. O caso de Brejinho de Nazaré serve como alerta: sem fiscalização rigorosa e sem gestão transparente, os problemas só tendem a se agravar.
Agora, a expectativa é que o município aja rápido para evitar punições. Mas, para os moradores, a dúvida persiste: quanto tempo mais eles terão que esperar por um atendimento digno?