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Senado discute fim da escala 6x1 com sindicatos e governo

Reunião nesta quarta-feira (1º) em Brasília define rumos da PEC que pode mudar jornada de trabalho no Brasil

📝 Redação CCN01 de julho de 2026 às 10:07👁 9 leituras
Senado discute fim da escala 6x1 com sindicatos e governo

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), recebe nesta quarta-feira (1º) em Brasília parlamentares governistas e representantes de centrais sindicais para debater a proposta de emenda constitucional que extingue a escala 6x1. O texto, aprovado pela Câmara dos Deputados no fim de maio, aguarda tramitação oficial no Senado — etapa que ainda não começou — antes de ser levado ao plenário da Casa. A reunião marca um momento decisivo para a pauta, que divide opiniões entre trabalhadores, empresários e políticos.

A escala 6x1, que permite ao empregado trabalhar seis dias seguidos com apenas um de descanso, é alvo de críticas há anos. Sindicatos argumentam que a jornada excessiva prejudica a saúde e a vida pessoal dos trabalhadores, enquanto setores da economia temem que a mudança aumente custos e reduza a competitividade. A PEC apresentada na Câmara propõe a substituição desse modelo por escalas mais equilibradas, mas ainda não há consenso sobre como implementar a transição. Alcolumbre, que já sinalizou resistência a mudanças impostas por outras casas legislativas, deve ouvir os argumentos de ambos os lados antes de definir o ritmo da tramitação.

Para os trabalhadores tocantinenses, a discussão tem peso especial. Empresas de diversos setores no estado, como comércio e serviços, ainda adotam a escala 6x1 em funções que exigem operação aos domingos e feriados. Se a PEC for aprovada, a adaptação pode ser gradual, mas afetará diretamente a rotina de milhares de famílias que dependem desses empregos. No Tocantins, sindicatos como a CUT e a Força Sindical já se mobilizam para pressionar pela aprovação, enquanto federações patronais alertam para possíveis prejuízos em setores que operam com folgas reduzidas.

A proposta chegou ao Senado com status de prioridade para o governo, mas a falta de um acordo prévio entre as partes pode atrasar sua votação. Parlamentares governistas, que apoiam a PEC, defendem que a mudança é necessária para modernizar a legislação trabalhista, enquanto a oposição questiona se a medida não enfraqueceria ainda mais a já combalida economia. Até agora, não há data marcada para o início da tramitação, mas a reunião desta quarta-feira deve esclarecer se o texto será pautado ainda este ano ou se ficará para 2025.

O que está em jogo não é apenas uma questão de folgas. Para muitos trabalhadores, a escala 6x1 significa a diferença entre ter um emprego estável e a incerteza do desemprego. No Tocantins, onde o setor de serviços representa mais de 60% da economia local, a discussão ganha contornos ainda mais urgentes. Empresários do comércio, por exemplo, argumentam que a redução da jornada poderia inviabilizar operações em cidades menores, onde a demanda por serviços aos finais de semana é alta. Já os sindicatos insistem que a saúde dos trabalhadores não pode ser negociada em nome da produtividade.

A expectativa é que, após a reunião, Alcolumbre defina um cronograma para a análise da PEC. Se o Senado optar por acelerar o processo, a votação poderia ocorrer ainda em 2024, mas dependerá do grau de consenso entre as partes. Enquanto isso, trabalhadores e empresários seguem de olho nos desdobramentos, cientes de que a decisão pode redefinir não só suas rotinas, mas também o futuro do mercado de trabalho no país.