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Policial mata filho de vereador em praia do interior tocantinense

Luciano Ferreira, 28 anos, foi alvejado enquanto trabalhava em Couto Magalhães; agente estava de folga

📝 Redação CCN22 de julho de 2026 às 01:59👁 1 leituras
Policial mata filho de vereador em praia do interior tocantinense

Um policial civil de folga matou a tiros Luciano Ferreira da Silva, de 28 anos, na tarde de sábado (14) na praia de Porto Franco, em Couto Magalhães, a 120 km de Imperatriz (MA). Luciano, filho do vereador de Porto Franco José Ferreira, trabalhava como garçom quando o crime aconteceu. O caso gerou revolta na cidade e expôs questionamentos sobre a conduta de agentes públicos fora do horário de serviço.

O tiroteio ocorreu por volta das 15h30, durante um movimento intenso na praia, que recebe moradores e turistas nos finais de semana. Segundo moradores, Luciano estava servindo bebidas em uma barraca quando o policial, identificado como Wellington Silva, chegou ao local e, sem qualquer motivo aparente, disparou contra ele. Testemunhas afirmam que não houve discussão prévia ou qualquer tipo de confronto. O policial, que não estava uniformizado, teria se aproximado do grupo e efetuado os disparos antes de fugir do local.

A Polícia Civil do Tocantins confirmou a prisão do agente no mesmo dia, após uma perseguição que envolveu a Delegacia de Couto Magalhães e a Polícia Militar. Wellington Silva foi levado para a delegacia da cidade, onde confessou o crime. Ele alegou que agiu em legítima defesa, mas as testemunhas desmentem a versão. O delegado titular de Couto Magalhães, Márcio Rodrigues, informou que o policial será indiciado por homicídio qualificado, já que o crime foi praticado com o uso de arma de fogo e sem motivação clara.

O vereador José Ferreira, pai da vítima, está abalado. Em entrevista à imprensa local, ele disse que Luciano era um jovem trabalhador, dedicado à família e sem envolvimento com crimes. "Meu filho não tinha inimigos. Ele só queria viver, trabalhar e ajudar a mãe. Isso é uma injustiça", declarou o vereador, que representa o bairro Centro em Porto Franco. A mãe de Luciano, Maria das Dores Ferreira, não quis dar declarações, mas familiares afirmam que a família exige justiça e transparência nas investigações.

A prefeitura de Couto Magalhães, por meio da Secretaria de Segurança Pública, emitiu nota de pesar e anunciou que acompanhará o caso de perto. O prefeito municipal, João Carlos Silva, afirmou que o município repudia qualquer ato de violência, especialmente quando envolve agentes do Estado. "A conduta de um policial, mesmo fora de serviço, deve ser exemplar. Não podemos permitir que a população sinta medo de quem deveria protegê-la", declarou o gestor.

O caso reacendeu discussões sobre a segurança nas praias tocantinenses, que nos últimos meses têm registrado episódios de violência. Em junho, um homem foi assassinado a facadas em uma barraca na praia de Luzimangues, em Miracema do Tocantins. A falta de policiamento ostensivo em áreas de lazer tem sido alvo de críticas por parte da população, que cobra mais presença do Estado nesses espaços.

Enquanto isso, a Polícia Civil informou que o inquérito será concluído em até 30 dias. O delegado Márcio Rodrigues garantiu que todas as linhas de investigação estão sendo analisadas, incluindo a hipótese de que o policial teria agido por motivos pessoais. A família de Luciano aguarda o desfecho do processo para cobrar as responsabilidades cabíveis.

A comunidade de Couto Magalhães, que já viveu dias de tranquilidade, agora enfrenta um clima de tensão. Moradores relatam que o crime abalou a confiança na segurança local e pedem que medidas sejam tomadas para evitar novos casos. "A gente vem aqui para relaxar, não para ter medo. Isso não pode continuar", desabafou um frequentador da praia que pediu para não ser identificado.

O caso será encaminhado ao Ministério Público do Tocantins, que decidirá sobre a denúncia contra o policial. Enquanto a Justiça não se pronuncia, a família de Luciano segue em luto, e a cidade de Couto Magalhães tenta entender como um dia de lazer se transformou em tragédia.