Princesas egípcias iam para a guerra com armas finas
Túmulos de filhas de faraós revelam adagas e arcos entre objetos funerários no Egito Antigo 1950 a.C.

Um estudo recente sobre tumbas de princesas do Egito Antigo, datadas de cerca de 1950 a.C., mostrou que elas não eram apenas figuras de prestígio real. As escavações revelaram que as jovens, possivelmente filhas de faraós, foram enterradas com armas como adagas ornamentadas e arcos com flechas, sugerindo treinamento em defesa pessoal e até participação em atividades militares.
As evidências vêm de três sepulturas femininas encontradas em uma necrópole próxima a Luxor, no sul do Egito. Os artefatos, preservados por milênios, incluem lâminas de bronze com detalhes gravados e pontas de flecha de pedra polida. Segundo os arqueólogos, a presença dessas armas não era meramente simbólica. "Os objetos indicam que essas mulheres tinham habilidades práticas, não apenas status", afirmou um dos responsáveis pela pesquisa, que pediu anonimato por não ser autorizado a falar publicamente.
A descoberta reforça a ideia de que, naquela época, mulheres da elite egípcia não ficavam restritas ao palácio. Elas podiam caçar, praticar tiro com arco ou até defender territórios em nome da família real. Os túmulos, localizados em uma área reservada para nobres, também continham joias e vasos de cerâmica, mas os artefatos bélicos se destacam pela raridade. "É incomum encontrar armas em sepulturas femininas, o que torna esse achado ainda mais relevante", destacou o arqueólogo.
Os pesquisadores acreditam que o treinamento fazia parte da educação dessas princesas desde a infância. A prática com arco e flecha, por exemplo, era comum entre caçadores e guerreiros, mas aplicá-la a mulheres de linhagem real sugere um papel mais ativo na sociedade. As adagas, por sua vez, tinham lâminas finas e cabos decorados, indicando que não eram apenas ferramentas, mas também símbolos de poder.
As tumbas foram descobertas em 2022, mas só agora os detalhes foram analisados em profundidade. Os arqueólogos usaram técnicas de datação por carbono e exames de raios X para confirmar a idade dos objetos e a identidade das ocupantes. Até o momento, não há registros de batalhas específicas associadas a essas mulheres, mas a presença das armas aponta para uma participação indireta em conflitos ou na manutenção da segurança da corte.
A descoberta se soma a outras evidências de que o Egito Antigo não era tão rígido quanto se imaginava em relação aos papéis de gênero. Em outras escavações, foram encontrados esboços de mulheres em posições de combate e textos que mencionam rainhas liderando exércitos. "Isso mostra que a hierarquia social era mais flexível do que se pensava", comentou um historiador especializado em civilizações antigas.
Os próximos passos incluem a análise de DNA das múmias para identificar possíveis laços familiares entre as princesas e outros membros da realeza. Além disso, os artefatos serão restaurados e expostos em um museu do Cairo, onde poderão ser vistos pelo público em breve.