Fifa negocia ampliação do Mundial de Clubes para 48 times em 2029
Acordo com associação europeia de clubes aproxima torneio de nova fase com mais vagas e maior competitividade global

O Mundial de Clubes da Fifa está prestes a viver a maior transformação de sua história. Em negociações avançadas com a Associação Europeia de Clubes (ECA), a entidade máxima do futebol mundial selou uma parceria que abre caminho para a expansão do torneio de 24 para 48 equipes a partir de 2029. A proposta, ainda em fase de ajustes finais, foi confirmada por fontes próximas ao processo e deve ser formalizada nos próximos meses, com a Fifa já trabalhando em um cronograma detalhado para a implementação.
A ideia não é nova, mas ganhou força nos últimos dois anos, quando a Fifa passou a estudar formas de tornar o Mundial de Clubes mais atrativo e rentável. A entidade enxerga no torneio uma oportunidade de aumentar sua receita global, especialmente em mercados emergentes, onde o futebol europeu já tem grande apelo. A ECA, que representa os principais clubes do continente, foi a primeira a aderir ao projeto, sinalizando que os times do Velho Continente terão prioridade no novo formato — pelo menos nas primeiras edições. A justificativa é simples: garantir que os grandes nomes do futebol europeu, responsáveis por boa parte da audiência e do faturamento do esporte, continuem protagonistas mesmo com a ampliação.
Para o torcedor tocantinense, a notícia pode parecer distante, mas a mudança terá reflexos diretos no dia a dia do futebol. Se aprovada, a expansão permitirá que mais times de diferentes continentes tenham a chance de disputar o título mundial, o que pode incluir clubes brasileiros além dos tradicionais representantes da Libertadores. Além disso, a Fifa já sinalizou que o torneio passará a ser realizado em intervalos mais frequentes — possivelmente a cada dois anos —, o que aumentaria a visibilidade do esporte no estado. Palmas, que já recebe eventos internacionais como a Copa do Brasil, poderia se tornar uma das sedes alternativas em edições futuras, dependendo dos critérios de escolha que a Fifa definir.
Os números por trás da proposta são expressivos. Segundo documentos internos da Fifa, a expansão para 48 times poderia gerar um aumento de até 60% na receita do torneio, pulando dos atuais US$ 200 milhões para cerca de US$ 320 milhões anuais. A ECA, por sua vez, já manifestou apoio à medida, mas impôs condições: os clubes europeus devem garantir pelo menos 16 vagas fixas no novo formato, o que representa quase um terço do total. A Fifa ainda não divulgou como serão distribuídas as demais vagas, mas é certo que as federações continentais, como a Conmebol (que representa a América do Sul), terão mais espaço — algo que pode beneficiar times brasileiros como Flamengo, Palmeiras ou Athletico Paranaense.
Ainda há obstáculos a superar. A Fifa precisa convencer as federações nacionais e os clubes menores, que temem uma diluição da competitividade, além de alinhar os interesses dos patrocinadores. A entidade também estuda a possibilidade de incluir times de ligas menos tradicionais, como a da Arábia Saudita, que recentemente investiu pesado no futebol europeu. A decisão final deve ser anunciada até o final de 2024, com o torneio reformulado começando em 2029 — coincidentemente, o ano em que o Brasil sediará a Copa do Mundo feminina, o que pode criar um cenário de grande visibilidade para o futebol global.
O que fica claro é que o Mundial de Clubes está prestes a deixar de ser um torneio secundário para se tornar um dos principais palcos do futebol mundial. Para a Fifa, é uma jogada de marketing e financeira; para os clubes, uma chance de aumentar receitas e visibilidade; e para os torcedores, a promessa de mais emoção e diversidade nos gramados. Resta saber como o futebol brasileiro, que já brilha na Libertadores, se adaptará a essa nova realidade — e se times do Tocantins, ainda que indiretamente, poderão colher os frutos dessa mudança.