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Indústria em debate: pré-candidatos traçam rumos para o setor no Tocantins

Encontro em Palmas reuniu Flávio Bolsonaro, Romeu Zema e Ronaldo Caiado para discutir propostas para a indústria tocantinense 15/08/2024

📝 Redação CCN24 de junho de 2026 às 11:28👁 3 leituras
Indústria em debate: pré-candidatos traçam rumos para o setor no Tocantins

O futuro da indústria tocantinense foi o centro das atenções em um encontro realizado nesta quinta-feira, 15, em Palmas. Os pré-candidatos ao governo do estado Flávio Bolsonaro (PL), Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD) se reuniram para apresentar propostas e debater estratégias que possam impulsionar o setor no Tocantins. O evento, que contou com a participação de empresários, sindicalistas e representantes de entidades de classe, aconteceu no auditório da Federação das Indústrias do Estado do Tocantins (FIETO), na capital.

A discussão ganhou ainda mais relevância diante do momento econômico do estado. Nos últimos meses, o Tocantins tem buscado alternativas para diversificar sua matriz produtiva, que ainda depende fortemente da agropecuária. A indústria, embora represente uma fatia menor do PIB estadual, é vista como um setor-chave para a geração de empregos e a atração de investimentos. Em 2023, segundo dados da Secretaria de Estado da Indústria, Comércio e Serviços (SEIC), o setor industrial respondeu por apenas 15% da economia tocantinense, enquanto a agropecuária representou 38%. A baixa participação da indústria no estado é um tema recorrente nas discussões sobre desenvolvimento econômico, especialmente quando comparado a outras unidades da federação do Centro-Oeste.

Para os participantes do evento, a pauta não é apenas teórica. Empresários da região de Gurupi, por exemplo, têm enfrentado dificuldades para expandir suas atividades devido à falta de incentivos específicos para o setor. Em Araguaína, a indústria moveleira, que já foi um dos principais destaques do estado, enfrenta concorrência acirrada de produtos importados e precisa de políticas públicas mais assertivas. Em Palmas, a construção civil, embora aquecida nos últimos anos, ainda depende de mão de obra qualificada, um desafio que poderia ser amenizado com a criação de cursos técnicos voltados para o setor.

Durante o debate, cada pré-candidato apresentou suas visões para o setor. Flávio Bolsonaro defendeu a desburocratização dos processos para abertura de empresas e a redução de impostos para indústrias que gerem empregos no interior do estado. Romeu Zema, por sua vez, destacou a necessidade de atrair indústrias de médio e grande porte para o Tocantins, citando como exemplo a instalação de uma fábrica de autopeças em Porto Nacional, que gerou mais de 500 vagas diretas. Ronaldo Caiado, que já governou o estado por dois mandatos, prometeu retomar programas de incentivo fiscal que, segundo ele, foram descontinuados nos últimos anos.

A FIETO, que organizou o evento, tem papel central nessa discussão. A entidade, que representa mais de 1.200 indústrias no estado, tem pressionado o governo estadual por medidas que facilitem o acesso ao crédito e reduzam a carga tributária. Em junho deste ano, a federação entregou ao governador Wanderlei Barbosa um documento com 15 propostas para o setor, incluindo a criação de um fundo de aval para pequenas e médias empresas e a ampliação de parcerias com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).

Os próximos passos ainda não foram definidos, mas a expectativa é que as propostas discutidas no encontro sejam incorporadas aos planos de governo dos candidatos. A FIETO já anunciou que deve promover novos debates nos próximos meses, com foco em setores específicos, como o de alimentos e o de tecnologia. Para os empresários, a definição de um candidato que realmente entenda das demandas da indústria pode fazer a diferença nos próximos quatro anos. Afinal, como lembrou um dos participantes do evento, "a indústria não espera eleições, ela precisa de soluções agora".

O encontro também serviu como um termômetro para o clima político no estado. Com as eleições se aproximando, a indústria tocantinense se tornou um tema central nas campanhas, especialmente porque o setor emprega diretamente mais de 30 mil pessoas no Tocantins, segundo dados do Ministério do Trabalho. A disputa entre os pré-candidatos promete esquentar ainda mais nos próximos dias, com cada um tentando mostrar que tem o melhor projeto para tirar o estado do marasmo industrial em que se encontra.

Para os moradores de Palmas e do interior, a discussão pode parecer distante, mas os reflexos são diretos. A geração de empregos, a renda das famílias e até mesmo a arrecadação municipal dependem, em grande parte, da saúde do setor industrial. Em um estado onde o desemprego ainda é um problema recorrente, a indústria pode ser a saída para muitos jovens que buscam uma oportunidade no mercado de trabalho. A pergunta que fica é: quem, afinal, apresentará o plano mais viável para transformar essa realidade?