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Engenheiros do Tocantins se unem em defesa de um CREA mais atuante

Reunião em Palmas reuniu lideranças para discutir fortalecimento do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Tocantins 16/10/2023 Palmas

📝 Redação CCN02 de julho de 2026 às 17:15👁 1 leituras
Engenheiros do Tocantins se unem em defesa de um CREA mais atuante

A engenheira e empresária Fernanda Ribeiro conseguiu o que poucas lideranças do setor já haviam feito no Tocantins: colocar na mesma mesa engenheiros de diferentes especialidades, empresários e representantes de órgãos públicos para debater o futuro do CREA-TO. O encontro, realizado na última semana no auditório do Sindicato dos Engenheiros no Estado do Tocantins (Senge-TO), em Palmas, não foi apenas mais um evento do calendário profissional. Foi um movimento para mostrar que a categoria está disposta a deixar de lado as divergências e construir um conselho mais forte, mais presente e mais integrado às demandas do estado.

Fernanda Ribeiro, que também preside a Associação Tocantinense de Empresas de Engenharia (Ateco), não escondeu a intenção: "A gente precisa de um CREA que não fique só na burocracia, que entenda as necessidades dos profissionais e das empresas aqui do Tocantins. Não adianta ter um conselho que só fiscaliza, mas não ajuda a resolver os problemas do dia a dia". A fala dela ecoou entre os cerca de 50 participantes, que representavam desde engenheiros recém-formados até donos de grandes construtoras de Araguaína, Gurupi e até mesmo de municípios menores como Miracema e Porto Nacional.

O que está em jogo não é apenas a imagem do CREA-TO, mas o futuro de obras e serviços essenciais para o Tocantins. Engenheiros que atuam em obras públicas, como as de pavimentação da TO-050 ou a construção de escolas em municípios do interior, reclamam da demora em processos de aprovação de projetos e da falta de fiscalização efetiva em canteiros de obras. "Já tivemos casos de empresas que desistiram de licitar em obras do estado porque o CREA demorava meses para liberar um parecer. Isso atrasa tudo e prejudica o desenvolvimento", contou um engenheiro civil que preferiu não se identificar, mas atua há mais de 15 anos no setor.

A discussão não ficou só no âmbito técnico. Fernanda Ribeiro trouxe à tona a necessidade de o CREA-TO se aproximar mais das prefeituras e do governo estadual, especialmente em um momento em que o Tocantins tenta atrair investimentos para áreas como energia solar e infraestrutura logística. "Se o conselho não estiver alinhado com as prioridades do estado, a gente perde oportunidades. Não adianta a gente falar em modernização se o CREA não estiver na mesma sintonia", afirmou ela, que também é conselheira do CREA-TO.

Entre os presentes, estava o presidente do Sindicato dos Engenheiros, José Carlos da Silva, que há anos acompanha as discussões sobre o papel do conselho. "O CREA-TO precisa ser mais ágil, mais transparente e mais próximo do profissional. Não dá para a gente ficar esperando anos por uma resposta que poderia ser dada em semanas", criticou. Ele lembrou que, em 2022, o conselho foi alvo de denúncias de irregularidades em licitações, o que só reforçou a necessidade de uma gestão mais eficiente.

O encontro também serviu para apresentar propostas concretas, como a criação de câmaras técnicas específicas para temas urgentes, como a regularização de obras em áreas de risco e a fiscalização de barragens. "A gente não pode mais tratar esses assuntos de forma genérica. Tem que ter foco", defendeu Fernanda, que adiantou que vai encaminhar as sugestões ao plenário do CREA-TO ainda este mês.

Para quem vive no Tocantins, especialmente aqueles que dependem de obras públicas ou serviços de engenharia, a discussão pode parecer distante, mas os reflexos são diretos. Um CREA mais atuante significa projetos aprovados com agilidade, obras fiscalizadas com rigor e, acima de tudo, profissionais mais seguros para exercer suas funções. Em um estado que ainda sofre com a falta de infraestrutura em várias regiões, a união da categoria pode ser um passo importante para mudar esse cenário.

O próximo passo, segundo os organizadores, é transformar as propostas em ações. Fernanda Ribeiro já anunciou que vai articular uma reunião com o governador Wanderlei Barbosa e o secretário de Estado de Infraestrutura, Tiago Andrino, para apresentar as demandas do setor. "A gente não pode ficar só no discurso. Tem que mostrar para o governo que a engenharia tocantinense está pronta para ajudar a construir um estado melhor", afirmou. A data ainda não foi definida, mas a expectativa é que o encontro aconteça ainda este ano.

O que fica claro é que, pela primeira vez em muito tempo, a engenharia tocantinense parece ter encontrado um ponto de união. Se o movimento vai vingar, só o tempo dirá. Mas uma coisa é certa: sem um CREA forte e atuante, o Tocantins continuará perdendo tempo — e dinheiro — em obras que não saem do papel.