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PSOL e Rede lançam candidatura ao governo do Tocantins

Federação de esquerda oficializa nome para disputar o Palácio Araguaia nas eleições de 2026 — decisão será anunciada em evento em Palmas

📝 Redação CCN21 de julho de 2026 às 17:56👁 1 leituras
PSOL e Rede lançam candidatura ao governo do Tocantins

A Federação PSOL/Rede formalizou na noite desta segunda-feira a candidatura de um nome para disputar o governo do Tocantins em 2026. A definição, que já vinha sendo articulada nos bastidores desde o início do ano, foi oficializada em reunião fechada em Palmas, com a presença de lideranças locais e estaduais dos dois partidos. O anúncio marca o início de uma campanha que promete mexer nas estruturas políticas tradicionais do estado, dominadas há décadas por alianças de centro-direita e direita.

A escolha do candidato ainda não foi revelada publicamente, mas fontes internas ouvidas pela reportagem confirmam que a decisão foi tomada após semanas de negociações entre as duas legendas. A federação, que nasceu da união entre o PSOL e a Rede Sustentabilidade em 2022, busca apresentar uma alternativa progressista em um cenário onde os principais nomes do pleito ainda não foram definidos. Em 2022, a aliança já havia lançado candidaturas a deputado federal e estadual, mas desta vez mira o Executivo estadual, um desafio maior.

O movimento chega em um momento de tensão no Tocantins, onde o atual governador Wanderlei Barbosa (Republicanos) enfrenta cobranças por obras paralisadas, como a duplicação da TO-050 entre Palmas e Porto Nacional, e denúncias de irregularidades em contratos da saúde. A oposição, que inclui nomes como o deputado estadual Junior Coimbra (MDB), já começa a se movimentar para reagir à candidatura, enquanto setores da sociedade civil avaliam se a proposta da federação consegue dialogar com as demandas cotidianas dos tocantinenses.

Segundo informações obtidas com integrantes da federação, a estratégia passará por uma campanha focada em pautas como educação pública, saúde universal e transparência nos gastos estaduais. "A gente não quer apenas um nome, mas uma proposta de governo que dialogue com a realidade do Tocantins", afirmou um dos coordenadores da aliança, que pediu para não ser identificado. A definição do candidato deve ser anunciada nos próximos dias, possivelmente em um evento na capital, onde a federação já tem estrutura montada.

Para o eleitorado de Palmas e do interior, a novidade pode significar uma mudança no jogo político, tradicionalmente dominado por siglas como o Republicanos, o MDB e o PDT. Nas últimas eleições, o PSOL e a Rede tiveram votações modestas, mas a federação acredita que a união das forças pode ampliar seu alcance. Em 2022, a federação elegeu apenas um deputado estadual no Tocantins, mas agora mira voos mais altos.

O próximo passo é a definição do programa de governo e a montagem da equipe de campanha. Enquanto isso, os partidos já começaram a mapear apoios em cidades como Gurupi, Araguaína e Paraíso do Tocantins, onde a federação busca construir bases. A estratégia inclui ainda a aproximação com movimentos sociais e sindicatos, setores que historicamente têm pouco espaço nas negociações políticas locais.

A decisão de lançar uma candidatura ao governo estadual também reflete um movimento nacional da esquerda, que tenta se reorganizar após derrotas em 2022 e 2024. No Tocantins, a federação enfrenta o desafio de convencer o eleitor de que sua proposta não é apenas mais uma entre tantas, mas uma alternativa viável para resolver problemas como a falta de leitos hospitalares em cidades como Miracema do Tocantins e a precariedade do transporte público em Araguaína.

A campanha, que deve começar oficialmente no primeiro semestre de 2026, promete ser acirrada. Enquanto Wanderlei Barbosa já sinaliza que buscará a reeleição, outros nomes da oposição, como o ex-governador Mauro Carlesse (sem partido), também devem entrar na disputa. A federação PSOL/Rede, no entanto, aposta em um discurso de renovação para se destacar em um estado onde a política ainda é marcada por alianças de longa data e pouca renovação.

O que resta agora é esperar pela definição do candidato e pelo lançamento oficial da campanha. Até lá, as especulações devem dominar os corredores da Assembleia Legislativa e das sedes partidárias em Palmas. Uma coisa é certa: o Tocantins terá, pela primeira vez em anos, uma disputa eleitoral com mais de dois nomes fortes no páreo.