Noruega apoia denúncia ética contra presidente da Fifa
Federação norueguesa confirma envio de carta ao Comitê de Ética e promete pressionar análise de caso envolvendo Infantino

A Federação Norueguesa de Futebol entrou na batalha por uma investigação ética contra Gianni Infantino, presidente da Fifa. A entidade nórdica confirmou que já encaminhou carta ao Comitê de Ética da confederação internacional e pretende manter pressão para que o caso seja analisado antes da Copa do Mundo de 2026.
O movimento norueguês não é isolado. Nos últimos meses, críticas ao comando de Infantino ganharam força entre confederações europeias, especialmente após decisões polêmicas sobre sede de torneios, direitos de transmissão e uso de recursos financeiros da entidade. A Noruega, que tem tradição de confrontação a práticas consideradas questionáveis no futebol internacional, não deixou passar. O país já havia se posicionado contra esquemas de votação e processos decisórios da Fifa em gestões anteriores.
O caso específico que motivou a denúncia permanece parcialmente nebuloso nos registros públicos. O que se sabe é que envolve questões éticas ligadas à gestão Infantino — uma administração que começou em 2016 com promessas de limpeza após o escândalo de corrupção que derrubou seu antecessor, Sepp Blatter. No papel, Infantino prometeu transparência. Na prática, segundo críticos, manteve estruturas opacas de decisão e favorecimento em licitações e contratações.
A federação norueguesa aponta que enviou documentação formal e aguarda resposta do Comitê de Ética. Mas aqui está o problema real: órgãos de ética dentro da própria Fifa historicamente movem processos com lentidão glacial. Investigações levam anos. Punições, quando chegam, frequentemente são brandas. É por isso que a Noruega sinalizou que não vai apenas confiar no sistema. Vai pressionar por celeridade.
Para o contexto brasileiro, essa movimentação europeia importa. A Confederação Brasileira de Futebol, controlada por grupos políticos locais com histórico de conflitos de interesse, raramente se une a confederações estrangeiras em pressões contra a Fifa. Mantém postura pragmática: quer votos de Infantino em decisões sobre sedes de competições e recursos financeiros. O Brasil, portanto, segue como espectador dessa disputa institucional.
A questão maior é como isso afeta o futebol mundial. Se Infantino cair ou sofrer limitações antes de 2026, a Fifa pode mudar de mãos — abrindo espaço para reformas reais ou simplesmente trocando um gestor questionável por outro. Se sair ileso, a instituição continua refém de processos lentos e decisões pouco transparentes que prejudicam desde confederações menores até torcedores que pagam preços inflacionados por ingressos em copas influenciadas por arranjos políticos obscuros.
A Noruega sabe disso. Por isso foi além de assinatura simbólica. Federações pequenas raramente confrontam a Fifa diretamente. O risco é alto: retalho financeiro, bloqueio em votações, exclusão de torneios. A aposta norueguesa é que outras confederações europeias façam o mesmo, criando pressão suficiente para que o Comitê de Ética não arquive o caso na gaveta.
Os próximos meses dirão se essa estratégia funciona. A Copa de 2026, sediada simultaneamente nos EUA, México e Canadá, será o primeiro grande torneio sob possível supervisão reforçada — ou será o palco para validar novamente um sistema que funciona para poucos.