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Família de estudante morta na BR-010 ainda espera pé ser liberado

Jhenyfer Camilly Alves dos Santos, 22 anos, morreu em acidente na BR-010 em 17 de maio; pé foi encontrado a 5 km do local

📝 Redação CCN10 de julho de 2026 às 13:44👁 1 leituras
Família de estudante morta na BR-010 ainda espera pé ser liberado

Mais de um mês depois do acidente que tirou a vida da estudante Jhenyfer Camilly Alves dos Santos, de 22 anos, a família ainda aguarda a liberação do suposto pé da jovem pela Secretaria de Segurança Pública do Tocantins (SSP-TO). O membro foi encontrado a cinco quilômetros do local do acidente, na BR-010, no dia 17 de maio, quando Jhenyfer fazia o trajeto de Araguaína para visitar os pais em Miranorte. A confirmação de que o pé pertencia à estudante veio no início de junho, após exames periciais, mas a entrega do corpo para o sepultamento segue incompleta.

A espera pela liberação do membro não é apenas uma questão burocrática. Para a família, que mora em Miranorte, a demora prolonga o sofrimento e impede que o processo de luto seja concluído de forma digna. A estudante de Nutrição na Universidade Federal do Tocantins (UFT) fazia parte de uma rotina comum a muitos jovens do interior: estudar em uma cidade maior, mas manter laços fortes com a família na cidade natal. O acidente aconteceu na madrugada do dia 17, quando o carro em que ela estava capotou na rodovia. O corpo foi resgatado no local, mas o pé só apareceu dias depois, em um trecho distante, o que exigiu perícias para confirmar a identidade.

A SSP-TO informou que os exames periciais concluíram, no início de junho, que o membro pertencia à Jhenyfer. Desde então, a família aguarda a liberação oficial para o sepultamento completo. A demora, segundo relatos da mãe da estudante, tem sido marcada por incertezas e cobranças junto à secretaria. "Eles dizem que estão fazendo o possível, mas a gente não sabe mais o que fazer", contou a mãe, que preferiu não se identificar. A estudante era natural de Miranorte, cidade a 90 km de Palmas, e fazia parte de uma geração que enxerga na educação uma porta para o futuro, mesmo em um estado onde os deslocamentos longos ainda são uma realidade cotidiana.

O acidente na BR-010 não é um caso isolado. A rodovia, que corta o Tocantins de norte a sul, é conhecida por ser uma das mais perigosas do estado, com trechos mal sinalizados e fiscalização insuficiente. Em 2023, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) registrou mais de 500 acidentes na BR-010, com dezenas de mortes. A falta de acostamentos adequados e a alta velocidade dos veículos são apontadas como causas recorrentes. Para quem vive no interior, como os pais de Jhenyfer, a BR-010 é uma estrada inevitável, seja para ir a Palmas, Araguaína ou qualquer outra cidade. A estudante fazia o trajeto com frequência, assim como milhares de outros tocantinenses que dependem da rodovia para estudar, trabalhar ou visitar familiares.

A SSP-TO não detalhou os motivos da demora na liberação do pé, mas fontes internas da perícia afirmam que a burocracia e a necessidade de múltiplas confirmações são fatores que atrasam o processo. A família, por sua vez, já recorreu a contatos políticos locais para tentar agilizar a liberação, mas até agora não obteve resposta concreta. O caso reacende discussões sobre a transparência nos processos de perícia no Tocantins, especialmente em casos de mortes violentas, onde cada detalhe pode ser crucial para as famílias.

Enquanto a espera continua, a rotina da família segue interrompida. A mãe de Jhenyfer, que trabalhava como diarista em Miranorte, teve de reduzir suas horas para lidar com a burocracia e o luto. "A gente só quer fechar esse ciclo, mas parece que ninguém entende a nossa dor", desabafou. O sepultamento parcial, sem o pé, já foi realizado, mas a família insiste em ter o membro para um enterro completo, seguindo costumes religiosos e familiares. A SSP-TO não informou quando a liberação será concluída, mas garantiu que o processo está em andamento.

O caso de Jhenyfer também coloca em pauta a segurança nas estradas do Tocantins, onde acidentes fatais são frequentes e muitas vezes deixam famílias à mercê de processos lentos e burocráticos. Para quem vive no estado, a BR-010 é mais do que uma estrada: é um símbolo dos riscos que se corre para se chegar aonde se precisa. E enquanto a família de Jhenyfer espera, a pergunta que fica é: quantas outras famílias ainda vão passar pelo mesmo?