Lesões em academias de Palmas ligadas a excesso de carga e falta de descanso
Exercícios mal planejados podem causar danos musculares e articulares em frequentadores de academias em Palmas e no Tocantins

Academias de Palmas registram casos de lesões musculares e articulares em frequentadores que exageram na carga ou ignoram o descanso entre os treinos. O problema, que afeta principalmente quem busca resultados rápidos, tem chamado atenção de fisioterapeutas e profissionais da área, que alertam para os riscos de um treinamento mal orientado.
A falta de planejamento nos exercícios — seja por carregar mais peso do que o corpo aguenta ou por não respeitar os intervalos necessários — tem levado a casos de estiramentos, tendinites e até lesões mais graves, como rupturas musculares. Em Palmas, fisioterapeutas relatam um aumento de pacientes com dores persistentes que, muitas vezes, começam com um simples alongamento mal feito ou uma série de repetições além do limite. A situação é ainda mais preocupante entre quem pratica musculação sem acompanhamento profissional, um hábito comum em academias da capital.
O problema não se limita a Palmas. Em cidades como Gurupi e Porto Nacional, profissionais da saúde também têm observado casos semelhantes, especialmente entre quem busca resultados rápidos para o verão ou para competições amadoras. A correria do dia a dia, somada à falta de tempo para se dedicar ao treinamento de forma equilibrada, acaba prejudicando a saúde de quem frequenta as academias. Muitos não sabem, por exemplo, que carregar 20% a mais do peso recomendado pode dobrar o risco de lesões, segundo orientações de fisioterapeutas.
Para quem já sentiu dores após o treino, a recomendação é clara: suspender os exercícios até a recuperação completa e procurar ajuda especializada. Em Palmas, o Hospital Geral de Palmas (HGP) tem recebido pacientes com queixas de dores nas costas e nos joelhos, muitas vezes associadas a treinos intensos sem orientação. A unidade, referência no estado, alerta para a importância de um profissional de educação física acompanhar a carga e a técnica dos exercícios.
Os fisioterapeutas destacam que, além do excesso de carga, a falta de descanso entre as séries e os dias de treino também contribui para o problema. Um estudo recente, citado por profissionais da área, mostra que quem não respeita o intervalo mínimo de 48 horas entre treinos do mesmo grupo muscular tem 30% mais chances de sofrer lesões. Em academias de bairros como Taquaralto e Sul, frequentadores relatam casos de quem insiste em treinar mesmo com dores, o que só agrava o quadro.
O coordenador de uma das maiores redes de academias de Palmas, que preferiu não se identificar, admite que muitos alunos chegam com expectativas irreais sobre o tempo necessário para ver resultados. "As pessoas querem mudar o corpo em um mês, mas não respeitam o processo. Isso leva a erros graves, como pular etapas ou aumentar a carga sem critério", afirmou. A orientação da equipe é sempre reforçar a importância de um treinamento progressivo e personalizado, mas reconhece que nem todos seguem as recomendações.
Em Gurupi, a Secretaria Municipal de Saúde informou que não há registros específicos de lesões relacionadas à musculação, mas reconhece que o tema é recorrente em palestras sobre saúde nas academias. A pasta orienta que os frequentadores busquem profissionais qualificados e evitem automedicação em casos de dores persistentes. Em Porto Nacional, a situação é semelhante: a prefeitura não tem dados centralizados, mas fisioterapeutas locais confirmam o aumento de casos.
Para quem já passou por isso, a lição é clara: a pressa não combina com resultados duradouros. A musculação, quando feita de forma correta, traz benefícios, mas exige disciplina e respeito aos limites do corpo. Em Palmas, a tendência é que as academias reforcem as orientações de segurança, mas cabe ao aluno também fazer a sua parte.
A reportagem tentou contato com a Secretaria Estadual de Saúde do Tocantins para comentar o tema, mas não obteve resposta até o fechamento desta edição.