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Ex-presidiário agora médico leva esperança a detentos do Tocantins

Wallace William da Costa cumpriu pena por tráfico, entrou na universidade federal e voltou à cadeia para mostrar que reinvenção é possível.

📝 Redação CCN28 de maio de 2026 às 17:03👁 2 leituras
Ex-presidiário agora médico leva esperança a detentos do Tocantins

Wallace William da Costa poderia ter guardado sua história só para si. Aos 44 anos, ele carrega na memória os anos que passou atrás das grades por envolvimento com tráfico. A trajetória que o levou dali até uma sala de aula de Medicina em universidade federal tocantinense é prova viva de que destino não é sentença. Mas decidiu fazer diferente. Voltou a uma unidade prisional estadual e sentou-se diante de homens ainda cativos para contar como saiu daquele poço.

Não foi discurso genérico de motivador profissional. Wallace falou de quem viveu cada centímetro daquele espaço. Conhece o barulho das grades, o peso das paredes, a luta interna contra os próprios demônios. Seus ouvintes não estavam ouvindo um outsider oferecendo esperança de longe. Estava diante daquele que esteve exatamente onde eles permanecem agora.

A mensagem dele é simples e sem glamour: passei por isso, consegui sair, vocês conseguem também. Não traz ilusões fáceis nem fingida comiseração. Traz apenas o fato de um homem que cometeu erros, enfrentou consequências e traçou novo rumo. A reconstrução aconteceu passo a passo, sem atalhos milagrosos ou respostas prontas.

Para Wallace, o sucesso de sua fala não se mede por entusiasmo da plateia. "Se dez mil pessoas duvidarem de mim e um único detento despertar para a possibilidade de mudança, já será uma vitória", afirmou o estudante em conversa posterior. Essa convicção marca a diferença entre quem fala por falar e quem realmente acredita no que diz.

No Tocantins, o sistema carcerário enfrenta pressões constantes: celas lotadas, estrutura frágil, poucas oportunidades reais de reinserção social. Nesse cenário, testemunhas vivas como a de Wallace ganham peso diferente. Não é estatística, relatório ou promessa de político. É um homem em pé, matriculado numa faculdade, carregando a prova de que aquele portão não precisava ser permanente.