EUA lançam política para fortalecer cadeia da carne bovina
Governo americano anuncia medidas para ampliar crédito a frigoríficos e priorizar carne local em compras públicas a partir de agora

O governo dos Estados Unidos lançou nesta semana um pacote de incentivos para impulsionar a pecuária bovina no país. A iniciativa, que começa a valer imediatamente, prevê linhas de crédito facilitadas para frigoríficos e a reserva de parte das compras de carne pelas instituições públicas para produtores locais. A medida é a primeira do tipo nos últimos cinco anos e busca reverter um cenário de queda na participação do setor no mercado interno.
A decisão foi anunciada pelo Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) após um estudo interno mostrar que a participação da carne bovina americana no consumo doméstico caiu 8% nos últimos três anos. Segundo o levantamento, a redução está ligada à concorrência de importados mais baratos e à falta de competitividade dos produtores locais em relação a outros setores agrícolas. Para reverter o quadro, o plano inclui a destinação de US$ 150 milhões em crédito subsidiado para modernização de frigoríficos e a criação de um programa de compras governamentais que priorizará a aquisição de carne de fornecedores nacionais.
A política afeta diretamente os frigoríficos, que poderão acessar recursos com juros 30% abaixo da média do mercado para investir em tecnologia e ampliação de capacidade. Além disso, as instituições federais, estaduais e municipais serão obrigadas a reservar pelo menos 20% de suas compras de carne bovina para produtores locais nos próximos 12 meses. A medida já tem data para entrar em vigor: os primeiros contratos com frigoríficos devem ser assinados em até 60 dias, e as compras públicas começarão a ser ajustadas a partir de janeiro do próximo ano.
Os números mostram que o setor emprega diretamente 1,2 milhão de pessoas nos EUA e movimenta cerca de US$ 80 bilhões anuais. No entanto, nos últimos anos, muitos produtores enfrentaram dificuldades para manter a rentabilidade devido à pressão de preços internacionais e à redução da demanda interna. A nova política chega em um momento em que o governo tenta equilibrar a balança comercial do país, que registrou déficit recorde na importação de carne bovina em 2023.
Ainda não há previsão de como a medida será recebida pelos mercados internacionais, mas analistas do setor já sinalizam que a priorização de fornecedores locais pode gerar tensões com países exportadores, como Brasil e Austrália. Por outro lado, a iniciativa deve aquecer a economia de regiões rurais americanas, onde a pecuária é a principal atividade econômica. O USDA informou que os próximos passos incluem a definição de critérios específicos para os contratos com frigoríficos e a abertura de um canal de diálogo com os governos estaduais para alinhar as compras públicas.
A expectativa é que, nos próximos meses, o governo anuncie detalhes sobre como será fiscalizada a aplicação dos recursos e quais serão os critérios para que os frigoríficos sejam beneficiados. Enquanto isso, produtores e indústrias já começam a se mobilizar para se adequar às novas regras, que prometem redefinir o mercado de carne bovina nos Estados Unidos nos próximos anos.