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ETG vai instalar fábrica de fertilizantes no TO com ferrovia

Empresa investe R$ 1,2 bilhão em unidade em Porto Nacional ligada à Norte-Sul; operação deve começar em 2026

📝 Redação CCN02 de julho de 2026 às 17:15👁 1 leituras
ETG vai instalar fábrica de fertilizantes no TO com ferrovia

A ETG, gigante global do setor de fertilizantes, anunciou que vai construir uma nova unidade industrial no Tocantins. O empreendimento, avaliado em R$ 1,2 bilhão, será erguido em Porto Nacional, a 60 quilômetros de Palmas, e terá logística integrada à Ferrovia Norte-Sul. A previsão é que a fábrica comece a operar em 2026, segundo informações da VLI, empresa que administra a malha ferroviária no estado.

A decisão da ETG reforça o papel do Tocantins como polo estratégico para a produção e escoamento de insumos agrícolas no Brasil. Porto Nacional foi escolhida pela proximidade com áreas produtoras de grãos no estado e por oferecer acesso facilitado ao Porto de Santos, principal escoadouro de commodities do país. A unidade vai produzir fertilizantes nitrogenados e fosfatados, essenciais para a safra tocantinense de soja, milho e algodão, que já responde por cerca de 10% da produção nacional de grãos.

O governador Wanderlei Barbosa (PSD) celebrou o anúncio. Em entrevista à imprensa local, ele destacou que o projeto deve gerar 500 empregos diretos durante a construção e outros 200 fixos após a inauguração. "Isso coloca o Tocantins no mapa dos grandes players do agronegócio, com reflexos na economia e na geração de renda", afirmou. A Secretaria de Estado de Indústria, Comércio e Serviços (SIC) informou que já estuda incentivos fiscais para atrair fornecedores e mão de obra qualificada para a região.

A Ferrovia Norte-Sul, que corta o Tocantins de norte a sul, será a principal via de escoamento da produção. Segundo a VLI, a malha ferroviária já transporta cerca de 30 milhões de toneladas de grãos por ano no estado, mas a demanda deve aumentar com a nova fábrica. "A unidade de Porto Nacional vai se beneficiar da infraestrutura existente e da conexão com outros modais, como rodovias e portos", explicou um diretor da empresa, que pediu para não ser identificado.

Para os produtores rurais de municípios como Gurupi, Dianópolis e Formoso do Araguaia, a notícia é recebida com otimismo. A redução nos custos de frete e a proximidade da matéria-prima — como rocha fosfática de Monte Alegre de Goiás — devem baratear os insumos. "Hoje, a gente paga caro para trazer fertilizante de São Paulo ou do Paraná. Se a fábrica ficar aqui, o preço cai e a safra rende mais", afirmou o agricultor João Carlos Silva, de Pedro Afonso, um dos maiores produtores de soja do estado.

A ETG não divulgou detalhes sobre a capacidade produtiva da nova unidade, mas fontes do setor estimam que ela possa atender até 20% da demanda nacional de fertilizantes nitrogenados. O anúncio ocorre em um momento em que o governo federal negocia a ampliação da malha ferroviária no Tocantins, com previsão de R$ 500 milhões em investimentos até 2025. A expectativa é que a fábrica atraia outros empreendimentos do ramo, consolidando o estado como um hub logístico para o agronegócio.

Ainda não há data para o início das obras, mas a ETG informou que os estudos de viabilidade estão em fase final. A empresa deve apresentar o projeto ao governo estadual nos próximos meses para definir os termos de parceria e os benefícios fiscais. Enquanto isso, a SIC já estuda a qualificação de mão de obra local, com cursos técnicos em parceria com o Senai-TO.

A instalação da fábrica em Porto Nacional também deve impulsionar o comércio e os serviços na região. O prefeito do município, José Wilson Siqueira (MDB), afirmou que já há conversas com a empresa para a construção de um terminal de cargas no distrito industrial da cidade. "Isso vai movimentar a economia local e criar oportunidades para pequenos negócios", declarou. A expectativa é que o projeto atraia investimentos em logística, armazenagem e até mesmo em moradias para os trabalhadores.

O anúncio da ETG chega em um momento em que o Tocantins busca diversificar sua economia além do agronegócio. Com a crise hídrica que afetou a geração de energia em 2023, o estado tem apostado em indústrias de base, como a de fertilizantes, para reduzir a dependência do setor elétrico. A nova unidade da ETG pode ser o primeiro passo para transformar Porto Nacional em um polo industrial, seguindo o exemplo de Araguaína, que já abriga fábricas de ração e defensivos agrícolas.

Ainda falta definir como a população local será envolvida no projeto. A ETG não anunciou programas sociais, mas a prefeitura de Porto Nacional já estuda parcerias com escolas técnicas para capacitar jovens da região. A expectativa é que, até 2026, o município já sinta os primeiros reflexos da chegada da fábrica, tanto na geração de empregos quanto na dinamização do comércio.