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Um quarto dos brasileiros desconhece formas de prevenir câncer

Estudo revela lacuna na informação sobre prevenção da doença; alimentação e estilo de vida são fatores determinantes

📝 Redação CCN03 de junho de 2026 às 12:24👁 2 leituras
Um quarto dos brasileiros desconhece formas de prevenir câncer

Um em cada quatro brasileiros não possui informações básicas sobre prevenção do câncer. A descoberta, revelada por um estudo recente, expõe uma lacuna preocupante no conhecimento da população sobre medidas que poderiam reduzir significativamente o risco de desenvolvimento da doença.

Os números são alarmantes se considerarmos que o Brasil tem mais de 215 milhões de habitantes. Isso significa que aproximadamente 54 milhões de pessoas carecem de noções elementares sobre como se proteger contra uma das principais causas de morte no país. No Tocantins, onde a população ultrapassa 1,5 milhão de habitantes, isso representa cerca de 375 mil pessoas com essa desvantagem informacional.

O estudo aponta que alimentação e estilo de vida exercem influência decisiva no desenvolvimento da doença. Não se trata de determinismo genético absoluto — muitos casos poderiam ser evitados ou postergados com mudanças comportamentais acessíveis. O consumo excessivo de alimentos processados, o sedentarismo, o tabagismo e o consumo de álcool aumentam as chances de múltiplos tipos de câncer. Frutas, vegetais, prática regular de exercícios e manutenção do peso adequado formam uma barreira protetora que grande parte dos brasileiros desconhece ou não sabe como implementar.

Esse déficit educacional não é acidental. Décadas de investimento insuficiente em campanhas de saúde preventiva, somadas à falta de acesso a informações confiáveis em comunidades periféricas e rurais, criaram um vácuo. Pessoas com menor escolaridade e renda tendem a receber ainda menos orientação sobre prevenção. Enquanto isso, a indústria de alimentos ultraprocessados investe bilhões em publicidade que normaliza hábitos prejudiciais.

As consequências dessa desinformação já são visíveis nos sistemas de saúde. Pacientes descobrem o câncer em estágios avançados, quando as opções de tratamento são mais limitadas e caras. O Sistema Único de Saúde (SUS) gasta enormes recursos com quimioterapia, radioterapia e cirurgias que poderiam ter sido evitadas. Famílias inteiras sofrem impactos econômicos devastadores quando um membro adoece — perda de renda, custos com deslocamento para centros de tratamento, afastamentos do trabalho.

Mas o estudo também aponta para uma oportunidade. Se três em cada quatro brasileiros têm algum nível de conhecimento sobre prevenção, existe uma base sobre a qual construir. Campanhas de comunicação bem direcionadas, inserção do tema em currículos escolares desde o ensino fundamental, e mobilização de profissionais de saúde das unidades básicas poderiam aumentar esse índice significativamente.

A informação sobre prevenção não é privilégio de quem tem acesso a nutricionistas particulares ou academias caras. Andar 30 minutos por dia custa zero reais. Trocar refrigerante por água não esvazia o bolso. Deixar de fumar livra tanto a saúde quanto a carteira. O desafio está em fazer essa mensagem chegar até quem mais precisa e fazer ela ser compreendida como urgente, não como mais um conselho distante.

Os próximos passos dependem de políticas públicas coordenadas entre os ministérios da Saúde e Educação, além de apoio de estados e municípios. Tocantins, como outras unidades federativas, tem a oportunidade de ser protagonista nessa transformação. Investir em prevenção agora significa economizar vidas e recursos públicos no futuro.