Piauí decreta emergência em 4 cidades por seca
Quatro municípios do Piauí entram em estado de emergência por estiagem; governo federal libera recursos para ações emergenciais

Quatro cidades do Piauí já não aguentam mais a seca que castiga a região há meses. O governo federal reconheceu oficialmente a situação de emergência em Vila Nova do Piauí, Queimada Nova, Lagoa do Barro do Piauí e São Raimundo Nonato. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) nesta semana, abrindo caminho para que as prefeituras acessem verbas federais destinadas a minimizar os danos causados pela falta de chuva.
A estiagem não é novidade para os piauienses. Nos últimos anos, a região tem enfrentado períodos cada vez mais longos sem precipitações significativas, o que afeta diretamente a agricultura, o abastecimento de água e a vida das famílias que dependem do campo. Segundo dados do governo estadual, a safra de grãos neste ano deve cair pela metade em comparação com 2022, enquanto reservatórios de água já registram níveis críticos. Os produtores rurais relatam prejuízos diários: plantações murcham, gado perde peso e muitos precisam vender animais por preços irrisórios para evitar perdas maiores. Nas cidades menores, a situação é ainda mais grave. Em Queimada Nova, por exemplo, a prefeitura já distribui cestas básicas e água potável para famílias que enfrentam filas de até oito horas nos pontos de coleta.
A medida federal permite que as prefeituras acionem recursos do Fundo de Defesa Civil para comprar alimentos, contratar caminhões-pipa e até mesmo subsidiar a compra de ração animal. Em São Raimundo Nonato, uma das cidades mais afetadas, a prefeitura já gastou metade do orçamento anual com ações emergenciais nos primeiros quatro meses de 2024. O prefeito local, que pediu anonimato por não ter autorização para falar à imprensa, admitiu que a situação é insustentável sem ajuda externa. "Nunca vimos uma seca tão prolongada. As pessoas estão desanimadas, mas a gente não pode desistir", afirmou.
O Ministério da Integração informou que os recursos serão liberados em até 15 dias após a publicação da portaria. A pasta destacou que priorizará municípios onde a seca já atingiu níveis críticos, como os quatro agora reconhecidos. No entanto, a demora na chegada das chuvas — que, segundo meteorologistas, só devem voltar em outubro — deixa as famílias em estado de alerta. Enquanto isso, a população segue se organizando: em Lagoa do Barro do Piauí, moradores criaram uma rede de solidariedade para dividir água e alimentos entre vizinhos. "A gente não pode esperar só pelo governo. Se não nos ajudarmos, ninguém mais vai fazer isso", contou uma moradora, que preferiu não se identificar.
Para os piauienses, a emergência declarada é apenas o primeiro passo. Agora, a expectativa é que as chuvas cheguem a tempo de evitar um colapso ainda maior. Até lá, a luta diária pela sobrevivência continua, com a esperança de que o céu, enfim, se lembre de mandar alívio para quem já sofre há tempo demais.