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EUA e México aceleram acordo enquanto Canadá sofre com tarifas de Trump

Negociações bilaterais em Washington redefinem regras comerciais do USMCA nesta terça-feira

📝 Redação CCN22 de julho de 2026 às 10:07👁 1 leituras
EUA e México aceleram acordo enquanto Canadá sofre com tarifas de Trump

Os Estados Unidos e o México retomaram nesta terça-feira (21) as tratativas para ajustar o Acordo Estados Unidos-México-Canadá (USMCA), em Washington. A terceira rodada de negociações bilaterais busca destravar impasses que ameaçam a estabilidade do bloco comercial, enquanto o Canadá enfrenta tarifas punitivas impostas pelo governo norte-americano.

A reunião ocorre em um momento delicado para o comércio exterior tocantinense, que depende diretamente de acordos como o USMCA para escoar produtos como soja, carne bovina e grãos. Em 2023, o Tocantins exportou mais de US$ 1,2 bilhão em produtos agropecuários, segundo dados da Secretaria de Estado da Agricultura (Seagro). A maior parte desse volume tem como destino os Estados Unidos e o México, países que agora negociam mudanças nas regras que regem as trocas comerciais entre os três países.

O USMCA, que substituiu o antigo Nafta em 2020, já enfrentava críticas por sua complexidade e por cláusulas que beneficiavam mais os EUA. Agora, com as tarifas canadenses — que incluem sobretaxas de até 25% em aço e alumínio —, a pressão sobre o acordo aumentou. O México, por sua vez, tenta garantir que as novas regras não prejudiquem sua indústria automotiva, que é fortemente integrada à norte-americana.

Para o Tocantins, a incerteza nas negociações pode significar mais burocracia e custos para os produtores rurais. O estado, que tem na agricultura sua principal atividade econômica, já convive com desafios como a logística precária nas rodovias BR-153 e BR-230, essenciais para o escoamento da produção. Se as tarifas se mantiverem ou piorarem, os preços dos produtos tocantinenses no exterior podem ficar menos competitivos, afetando diretamente a renda de milhares de famílias no campo.

Em Palmas, a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Tocantins (Faet) já monitora as tratativas. O presidente da entidade, Paulo Carneiro, afirmou que a entidade está em contato com o Ministério da Agricultura para avaliar os impactos. "Qualquer mudança no USMCA afeta diretamente nossas exportações. Precisamos de regras estáveis para planejar nossa safra", declarou.

A rodada de negociações desta terça-feira deve durar dois dias e envolve equipes técnicas dos dois países. Enquanto isso, o Canadá, que já sofre com as tarifas impostas por Trump, tenta reverter a situação por meio de acordos bilaterais com outros parceiros comerciais.

No Tocantins, a expectativa é que o governo estadual e as entidades representativas pressionem por soluções que não prejudiquem o setor produtivo local. A Seagro informou que está preparando um relatório com projeções de impacto para apresentar aos negociadores.

A próxima rodada de negociações do USMCA está prevista para o final de junho, em Ottawa, no Canadá. Até lá, os produtores tocantinenses terão que conviver com a incerteza, enquanto torcem para que as regras do bloco não se tornem mais um obstáculo para o desenvolvimento do estado.