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Confiança dos industriais do Tocantins cai pela metade

Pesquisa mostra queda de 50% na confiança dos empresários do setor industrial tocantinense em 2024 segundo T1 Notícias

📝 Redação CCN25 de agosto de 2026 às 01:33👁 2 leituras
Confiança dos industriais do Tocantins cai pela metade

Os empresários do setor industrial no Tocantins fecharam o primeiro trimestre de 2024 com a confiança pela metade. A queda de 50% no índice de confiança, na comparação com o mesmo período do ano passado, acendeu um sinal amarelo nas lideranças do setor. O dado, que reflete a percepção dos donos de indústrias do estado, foi divulgado pelo T1 Notícias e coloca em xeque não só os planos de expansão como também a saúde financeira de empresas que empregam milhares de tocantinenses.

A pesquisa, que ouviu donos de indústrias de diversos portes e segmentos, mostrou que a incerteza não é pontual. O recuo na confiança não se limita a um setor específico, mas atinge desde fábricas de alimentos até metalúrgicas e indústrias de confecções. Entre os motivos apontados estão a alta dos juros, a instabilidade na cadeia de fornecedores e a queda no consumo interno, que afeta diretamente as vendas. Em cidades como Palmas, onde o setor industrial tem peso na economia local, a notícia chega em um momento delicado. A capital tocantinense, que já sentiu os efeitos da redução de investimentos em obras públicas nos últimos meses, agora vê também o setor produtivo local hesitar antes de tomar decisões.

Para quem vive do comércio ou depende de empregos gerados pela indústria, a notícia é preocupante. Empresas que haviam planejado contratações ou ampliações de unidades agora revisam os cronogramas. Em Araguaína, por exemplo, onde a indústria de transformação tem presença relevante, a notícia reforça a necessidade de diversificar a economia local, que ainda depende muito de setores como a agropecuária e o comércio. No sul do estado, em Gurupi, a situação não é diferente: donos de pequenas e médias indústrias relatam dificuldades para acessar crédito e manter o fluxo de caixa em dia.

Os números da pesquisa mostram que o índice de confiança, que em 2023 registrava 62 pontos, caiu para 31 pontos neste ano. A queda é ainda mais acentuada quando se olha para as perspectivas de curto prazo: enquanto 45% dos entrevistados acreditavam em crescimento para os próximos meses no ano passado, agora apenas 20% mantêm essa expectativa. A falta de previsibilidade afeta diretamente a capacidade de planejamento das empresas, que muitas vezes dependem de contratos com o governo ou de encomendas de outros estados.

O setor industrial tocantinense, que já enfrentou desafios como a concorrência de produtos importados e a logística complicada para escoar a produção, agora tem mais um obstáculo pela frente. A redução na confiança pode levar a demissões, adiamento de investimentos e até fechamento de unidades menores, que não têm reservas para atravessar períodos de baixa. Em um estado onde o desemprego ainda é uma questão sensível, especialmente entre jovens e trabalhadores com baixa qualificação, o cenário é de alerta.

A Federação das Indústrias do Estado do Tocantins (FIETO) já sinalizou que deve se reunir com o governo estadual para discutir medidas de apoio ao setor. Entre as propostas em estudo estão a prorrogação de linhas de crédito com juros menores e a simplificação de processos burocráticos para abertura de novas empresas. A entidade também deve cobrar mais agilidade na liberação de obras públicas, que costumam movimentar a economia local e gerar empregos indiretos.

O governo do Tocantins, por sua vez, ainda não se pronunciou oficialmente sobre os dados da pesquisa, mas o secretário de Indústria, Comércio e Serviços, José Geraldo da Silva, afirmou que o estado mantém diálogo constante com o setor produtivo. "A gente sabe que o momento é difícil, mas estamos trabalhando para criar um ambiente mais favorável aos negócios", declarou. A fala, no entanto, não esconde a preocupação com a queda na confiança, que pode se refletir em menos arrecadação e, consequentemente, menos recursos para investimentos em áreas como saúde e educação.

O que vem pela frente? Se a confiança não se recuperar nos próximos meses, o Tocantins pode enfrentar um ciclo vicioso: menos investimentos levam a menos empregos, que por sua vez reduzem o poder de compra da população e, assim, o consumo. Em um estado onde a indústria representa cerca de 15% do PIB, a situação exige atenção imediata. Enquanto isso, empresários do setor seguem monitorando o cenário, na esperança de que a maré vire antes que os prejuízos se tornem irreversíveis.