Esgoto inunda rua no Vicente Fialho há meses sem solução
Moradores da Rua Deputado Luís Rocha, no Vicente Fialho, relatam prejuízos diários e cobram ação definitiva da Prefeitura de Palmas

No fim da tarde de uma segunda-feira, a Rua Deputado Luís Rocha, no bairro Vicente Fialho, em Palmas, virou um obstáculo para quem precisa passar por ali. O esgoto a céu aberto, que já dura meses, atrapalha a rotina de moradores, comerciantes e até quem usa o local como atalho para chegar ao Centro ou ao Taquaralto. O cheiro forte e a água parada são apenas a parte visível de um problema que vai muito além do incômodo: afeta a saúde, o bolso e a paciência de quem vive ali.
O problema não é novo. Desde o início do ano, a população local denuncia a situação, mas até agora não há previsão de quando a obra será concluída. A rua, que já foi asfaltada e sinalizada, hoje parece um canteiro de obras abandonado. O esgoto, que deveria estar correndo por tubulações subterrâneas, vaza em vários pontos, formando poças que atraem insetos e espalham mau cheiro. Moradores relatam que, em dias de chuva, a água suja transborda e invade calçadas e até quintais, agravando ainda mais a situação.
Para quem mora nas proximidades, o dia a dia virou uma batalha. A dona de casa Maria Aparecida, 52 anos, que vive há mais de dez anos na rua, conta que o problema afeta até a saúde dos filhos. "Meu neto de 5 anos teve crise de asma duas vezes este mês. O médico falou que pode ser por causa do cheiro forte e da umidade aqui dentro de casa", desabafa. Ela também reclama do prejuízo com a limpeza extra que precisa fazer. "A cada quinze dias, tenho que jogar água sanitária no quintal e nas calçadas para evitar doenças. Isso custa caro e não é justo", completa.
O comerciante José Carlos, dono de uma mercearia a duas quadras do local, também sente o impacto. "Os clientes evitam passar aqui de manhã cedo por causa do cheiro. Perdi vendas porque as pessoas preferem ir por outro caminho", diz. Ele lembra que, antes das obras, a rua era movimentada, mas agora o movimento caiu pela metade. "A Prefeitura prometeu resolver isso rápido, mas já estamos em outubro e nada mudou", reclama.
A Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seinf) confirmou que a obra está em andamento, mas não deu prazo para conclusão. Segundo a pasta, o serviço faz parte de um pacote de melhorias em esgotamento sanitário na região, que inclui outras ruas do Vicente Fialho e do Setor Santa Fé. A Seinf informou ainda que já foram investidos R$ 1,2 milhão na obra, mas não detalhou quanto falta para terminar.
O problema, no entanto, não é exclusivo do Vicente Fialho. Em bairros como o Jardim Aureny IV e o Taquaralto, moradores também relatam esgoto a céu aberto em trechos pontuais, o que mostra que a falta de manutenção e investimento em saneamento básico é um problema recorrente em Palmas. Segundo dados da Companhia de Saneamento do Tocantins (Saneatins), cerca de 30% das residências da capital ainda não têm ligação à rede de esgoto, o que contribui para o agravamento da situação.
A vereadora Professora Dorinha (PSD), que representa a região na Câmara Municipal, cobrou agilidade da Prefeitura. "É inadmissível que, em 2023, ainda tenhamos ruas com esgoto a céu aberto. Isso não é só um problema de saúde pública, mas também de dignidade para as famílias", afirmou. Ela anunciou que vai protocolar um requerimento para cobrar um cronograma detalhado das obras e punir responsáveis por atrasos.
Enquanto a solução não chega, os moradores seguem se organizando. Um abaixo-assinado com mais de 200 assinaturas já foi entregue à Seinf, mas até agora não houve resposta concreta. "A gente não pode esperar mais. Se não resolverem logo, vamos ter que tomar outras medidas", ameaça Maria Aparecida, que já pensou em procurar a Defensoria Pública para cobrar uma solução.
A Seinf informou que mantém um plantão de atendimento na regional do Vicente Fialho para receber denúncias e que técnicos estão avaliando a situação para agilizar as obras. No entanto, a população não esconde a descrença. "Já ouvimos isso antes. Promessas, promessas, mas nada de concreto", desabafa José Carlos.
O caso da Rua Deputado Luís Rocha expõe uma realidade que vai além do esgoto: a falta de planejamento urbano e a demora em resolver problemas que afetam diretamente a vida das pessoas. Em Palmas, onde o crescimento populacional é acelerado, obras como essa deveriam ser prioridade, mas a burocracia e a falta de fiscalização parecem emperrar o processo. Enquanto isso, quem sofre são os moradores, que pagam impostos e merecem serviços públicos eficientes.
A reportagem tentou contato com a Saneatins para saber se há previsão de ampliação da rede de esgoto na região, mas não obteve resposta até o fechamento desta edição.