Fotolyricas do Cerrado ganha destaque no Encontro de Culturas em São Jorge
Exposição de Angel Lima integra programação do II Encontro de Culturas Literário na Vila de São Jorge, Chapada dos Veadeiros, até sexta-feira

O II Encontro de Culturas Literário, que começou ontem na Vila de São Jorge, na Chapada dos Veadeiros, trouxe para o centro das atenções a exposição "Fotolyricas do Cerrado", do artista Angel Lima. O evento, que segue até sexta-feira, reúne escritores, pesquisadores e leitores em torno das múltiplas narrativas da cultura literária, com uma programação que já atrai moradores de Alto Paraíso, Cavalcante e até de Palmas.
A mostra de Angel Lima não é apenas mais uma exposição na região. Ela propõe uma viagem visual e poética pelo Cerrado tocantinense, unindo fotografias e textos que retratam a essência do bioma. A Vila de São Jorge, conhecida por seu ambiente boêmio e cultural, se transformou em um palco para essa reflexão sobre a identidade local. O encontro, que já é um marco na agenda cultural do norte goiano, mas que atrai também frequentadores do Tocantins, foi idealizado para celebrar a literatura de forma plural, sem hierarquias entre gêneros ou estilos.
Para quem vive em Palmas e arredores, a exposição chega em um momento em que a cidade debate a importância da cultura regional. Nos últimos anos, iniciativas como esta têm ganhado espaço, seja em feiras de livros ou em projetos de incentivo à leitura nas escolas. A Secretaria de Cultura do Estado, por exemplo, tem apoiado eventos que aproximam a população das raízes do Tocantins, e a participação de Angel Lima reforça essa tendência. A Chapada dos Veadeiros, por sua vez, segue como um polo de atração para quem busca arte e natureza, mesmo com os desafios de acesso e infraestrutura que ainda persistem.
O artista Angel Lima, natural de Goiás mas com forte ligação com o Tocantins, já circulou por feiras e bienais no estado, sempre levando essa proposta de fusão entre imagem e palavra. Em entrevistas durante o evento, ele destacou que a exposição é um convite para que as pessoas repensem a relação com o Cerrado, não apenas como paisagem, mas como um território de histórias. "Aqui, a literatura não é só do papel. Ela está nas pedras, nas árvores, no vento", afirmou Lima, que também ministra oficinas durante o encontro.
O encontro, que teve sua primeira edição em 2023, já se consolidou como um espaço de diálogo entre gerações. Este ano, além da exposição, há mesas-redondas sobre poesia contemporânea, contação de histórias e lançamentos de livros de autores tocantinenses e goianos. A programação, que começou ontem, segue até sexta-feira com atividades gratuitas, atraindo não só moradores de São Jorge, mas também de cidades vizinhas como Niquelândia e Teresina de Goiás.
Para os tocantinenses que não puderam ir, a exposição deve seguir itinerante. Angel Lima já confirmou que levará a mostra para outras cidades do estado, incluindo uma passagem por Palmas. A expectativa é que o público local possa interagir com as obras em breve, seja em bibliotecas, centros culturais ou até mesmo em espaços públicos. Enquanto isso, o II Encontro de Culturas Literário segue como um termômetro do que está sendo produzido na região, mostrando que a literatura no Tocantins e no entorno não se limita aos livros — ela respira no cotidiano, nas ruas e nas paisagens.