Pix não compete com exterior, diz CEO da PagBrasil
Executivo defende sistema de pagamentos instantâneos brasileiro diante de ameaça de tarifas dos EUA sobre produtos nacionais

Enquanto os Estados Unidos ameaçam impor uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, o CEO da PagBrasil, Alex Hoffmann, saiu em defesa do Pix. Segundo ele, o sistema de pagamentos instantâneos não foi criado para competir com empresas estrangeiras e, portanto, não há qualquer tipo de concorrência desleal envolvida.
A declaração chega em um momento de tensão comercial entre Brasil e Estados Unidos. As ameaças tarifárias americanas jogam luz sobre diversos setores da economia brasileira, e o setor de tecnologia financeira não escapou do escrutínio. No meio dessa disputa, surge a questão: o Pix prejudica empresas internacionais de cartão de crédito?
Hoffmann argumenta que não. Para o executivo, o Pix é parte de um ecossistema muito heterogêneo de pagamentos. Segundo sua visão, a ação do sistema nunca teve como objetivo principal competir com players estrangeiros. O Pix nasceu em novembro de 2020 como uma iniciativa do Banco Central para modernizar o sistema de pagamentos brasileiro, oferecendo transferências instantâneas, gratuitas e disponíveis 24 horas por dia.
O que mudou desde então foi a velocidade com que o sistema foi adotado. Hoje, o Pix está em praticamente todos os celulares de quem usa aplicativo bancário no país. Pessoas físicas e jurídicas migraram bilhões em transações para o novo sistema. Essa explosão de uso trouxe questionamentos sobre como empresas de cartão — muitas delas estrangeiras — estão se adaptando a um mercado onde as transferências instantâneas eliminam a necessidade de intermediários tradicionais.
Mas há um detalhe importante aqui. Empresas de cartão internacionais também operam no Brasil e lucram com cada transação realizada em seus sistemas. O Pix, por ser gerido pelo Banco Central com participação de instituições locais, funciona sob regras diferentes. Isso não significa concorrência desleal, na visão de Hoffmann. Significa, simplesmente, que são modelos distintos de negócio operando em paralelo.
O ponto que Hoffmann deixa em aberto é por que exatamente a mensagem sobre o Pix nunca foi totalmente transparente. Ele mesmo admite essa falta de clareza. Durante esses anos de operação, o sistema ganhou funcionalidades adicionais — desde compras por QR code até agendamento de transações. Cada expansão aproximava um pouco mais o Pix das funções oferecidas por cartões tradicionais.
Para o leitor tocantinense que usa Pix no dia a dia, essa disputa internacional pode parecer distante. Mas tem impacto direto. Se tarifas americanas forem de fato aplicadas, produtos importados ficarão mais caros — desde componentes eletrônicos até commodities que impactam a economia local. E se houver retaliação contra o Pix como ferramenta de política comercial, o sistema que transformou a forma como brasileiros enviam dinheiro poderia sofrer pressões regulatórias.
O que vem pela frente é incerto. A posição de Hoffmann é uma resposta diplomática: o Pix não é um instrumento de protecionismo, é apenas uma inovação genuína do setor financeiro brasileiro. Mas a turbulência comercial internacional não costuma respeitar argumentos técnicos. Se os americanos decidirem que o Pix afeta empresas locais, podem tentar pressionar o Brasil através de outros canais.
Mentretanto, o sistema segue funcionando como sempre: rápido, simples e ao alcance de 150 milhões de brasileiros. Seja qual for o resultado das negociações comerciais, o Pix já mudou permanentemente a forma como as pessoas movimentam dinheiro por aqui. Aquele Tocantinense que, anos atrás, precisava comparecer pessoalmente a uma agência bancária para transferir valores, hoje faz isso em segundos, de qualquer lugar. Essa conveniência não desaparece com tarifas ou disputas diplomáticas. A pergunta que fica é se ela será suficiente para proteger o sistema das pressões que virão.