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Empresários aguardam novas tarifas dos EUA contra o Brasil

Setor privado se prepara para possível anúncio de medidas comerciais pela administração americana nesta semana.

📝 Redação CCN01 de junho de 2026 às 10:09👁 1 leituras
Empresários aguardam novas tarifas dos EUA contra o Brasil

Empresários brasileiros estão de olho nos Estados Unidos. A expectativa é que o governo norte-americano anuncie novas tarifas contra o Brasil no início desta semana, segundo fontes do setor.

O timing da medida, se confirmada, não é coincidência. Ela viria logo após Washington classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Essa decisão, tomada semanas atrás, muda completamente o jogo nas relações comerciais entre os dois países.

Para quem acompanha as movimentações da economia brasileira, essa é mais uma camada de complexidade em um relacionamento comercial já tenso. Os empresários não estão surpresos — estão preocupados. E essa preocupação tem razão de ser.

Historicamente, quando os EUA classificam grupos criminosos como terroristas, o passo seguinte costuma envolver medidas econômicas contra o país onde atuam. É uma forma de pressionar governos a tomarem ações mais duras contra esses grupos. No caso do Brasil, o PCC e o Comando Vermelho não são meros criminosos locais — são organizações que movem bilhões, controlam territórios e influenciam políticas públicas de forma perversa.

A ligação entre segurança e comércio pode parecer estranha à primeira vista, mas faz sentido na lógica americana. Washington argumenta que grupos assim prejudicam a estabilidade econômica regional, afetam investimentos e criam um ambiente hostil para negócios. Tarifas, portanto, se tornam um instrumento de pressão diplomática.

Para o Brasil — e especialmente para estados como Tocantins, que têm na produção agrícola e agropecuária pilares importantes da economia — essas tarifas podem significar muito. Se os EUA aumentarem as alíquotas sobre produtos brasileiros, commodities como soja, café e carne bovina sofrem impacto direto. Os produtores tocantinenses, que já enfrentam desafios com clima, custo de produção e concorrência global, estariam em apuros ainda maiores.

Os empresários que procuraram a reportagem não querem seus nomes divulgados. É compreensível — falar sobre isso publicamente pode ser arriscado quando envolve relações com governo e crime organizado. Mas a ansiedade é real. Eles esperam por um anúncio para começar a se reorganizar, buscar mercados alternativos ou tentar lobby com ministérios para mitigar os danos.

O contexto maior também importa aqui. O Brasil já enfrenta pressões comerciais de vários lados. A guerra comercial que os EUA iniciaram com a China décadas atrás continua criando ondas. A União Europeia também aperta as regras para produtos brasileiros, especialmente em questões ambientais. Agora, se os americanos realmente adicionarem tarifas anti-terrorismo à lista, o cenário fica mais espinhoso.

Embora a notícia original não detalhe exatamente quais produtos seriam alvo ou qual seria a alíquota das tarifas, a prática internacional mostra que Washington tende a ser seletivo — nunca bate em tudo de uma vez. Produtos estratégicos costumam ser poupados enquanto bens de consumo mais comuns levam a pressão. Mas isso não significa que as consequências serão pequenas.

Os próximos dias são críticos. Se o anúncio vem, o governo brasileiro terá de responder — seja com negociações diplomáticas, contramedidas comerciais ou ações concretas contra o PCC e o CV que satisfaçam Washington. Nenhuma das opções é simples ou rápida.

Enquanto isso, empresários esperam. Alguns já estão ajustando contas, renegociando contratos e estudando cenários de redução de receita. Outros mantêm a esperança de que o anúncio não se materialize ou que seja mais leve que o temido. Mas a sensação no mercado é clara: algo está vindo.