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Empresária foge de fraude em UPAs e se entrega em Palmas

Ex-sócia de empresa que prestava serviços para unidades de saúde do Tocantins compareceu à Justiça após dois anos foragida

📝 Redação CCN16 de junho de 2026 às 15:09👁 1 leituras
Empresária foge de fraude em UPAs e se entrega em Palmas

A empresária que fugiu após ser acusada de fraude em contratos de terceirização de serviços para as UPAs (Unidades de Pronto Atendimento) de Araguaína e Gurupi se apresentou ontem à Justiça em Palmas. A apresentação aconteceu dois anos depois de ela ter deixado de comparecer à audiência que poderia definir sua prisão preventiva.

O caso envolve uma empresa que prestava serviços de limpeza, manutenção e apoio administrativo para as UPAs da região, contratada pela Secretaria Estadual de Saúde. Segundo a denúncia, a empresária teria adulterado documentos para justificar o pagamento de valores superiores aos serviços realmente prestados, desviando recursos públicos. A Polícia Civil do Tocantins investigou o esquema e encaminhou o processo ao Ministério Público Estadual, que ofereceu denúncia contra ela e outros envolvidos.

A apresentação voluntária da acusada ocorreu na 1ª Vara Criminal de Palmas, onde ela foi recebida pelo juiz titular. Durante a audiência, a defesa argumentou que a empresária não tinha intenção de fugir, mas sim de buscar melhores condições para se defender. O magistrado, no entanto, manteve a prisão preventiva decretada em 2022, alegando risco de fuga e a gravidade do crime. A decisão ainda pode ser revista em instância superior.

O caso ganhou repercussão porque afeta diretamente a população tocantinense que depende das UPAs para atendimentos emergenciais. Em Araguaína e Gurupi, cidades com grande fluxo de pacientes, a terceirização de serviços é comum, mas a suspeita de fraude levanta dúvidas sobre a qualidade e a transparência nos contratos públicos. A Secretaria de Saúde do Tocantins não se pronunciou oficialmente sobre o caso, mas fontes internas confirmaram que os contratos com a empresa foram suspensos assim que as irregularidades foram identificadas.

A Polícia Civil informou que a investigação começou após denúncias anônimas e cruzamento de dados entre os sistemas de pagamento e os serviços realmente executados. Documentos apreendidos na sede da empresa, localizada no setor Comercial Sul de Palmas, revelaram inconsistências nos relatórios de prestação de serviços. A delegada responsável pelo caso, que preferiu não ser identificada, afirmou que a fraude pode ter causado prejuízos superiores a R$ 2 milhões aos cofres estaduais.

A defesa da empresária, que é natural de Porto Nacional, alega que ela foi vítima de um esquema maior e que os valores desviados foram repassados a terceiros sem seu conhecimento. O advogado, que atua na OAB-TO, pediu a revogação da prisão preventiva, mas o juiz não acatou o pedido. Agora, a acusada aguarda o julgamento em regime fechado, enquanto os demais envolvidos no caso ainda estão sendo investigados.

Para os moradores de Araguaína e Gurupi, a notícia traz à tona a discussão sobre a fiscalização dos contratos públicos no Tocantins. Muitos pacientes que dependem das UPAs para atendimentos de urgência e emergência temem que casos como esse afetem a qualidade dos serviços. Em Palmas, onde a empresa tinha sede, a situação também levanta questionamentos sobre a transparência nas licitações e a responsabilização dos gestores.

A próxima audiência está marcada para daqui a 30 dias, quando o juiz deve definir se há elementos suficientes para levar o caso a julgamento. Enquanto isso, a Polícia Civil continua investigando outros possíveis envolvidos, incluindo servidores públicos que podem ter facilitado as irregularidades. A população tocantinense, especialmente quem depende dos serviços de saúde, espera que a Justiça atue com celeridade para evitar novos prejuízos ao erário.