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Quadras de tênis viram diferencial em imóveis de alto padrão

Construtoras apostam em espaços esportivos exclusivos para atrair compradores de luxo 2024

📝 Redação CCN02 de setembro de 2026 às 10:00👁 10 leituras
Quadras de tênis viram diferencial em imóveis de alto padrão

A busca por lazer personalizado está redefinindo os projetos de imóveis de luxo no Brasil. Em 2024, construtoras passaram a incluir quadras de tênis oficiais como item obrigatório em empreendimentos residenciais de alto padrão, um movimento que reflete a valorização de espaços esportivos privados entre os compradores mais exigentes.

O que começou como uma tendência pontual em condomínios de elite se transformou em padrão para quem busca diferenciação no mercado. Projetos recentes exigem terrenos de até 700 metros quadrados para acomodar quadras oficiais, um espaço que, há poucos anos, era considerado luxo apenas em clubes privados. A mudança não é apenas estética: ela responde a uma demanda crescente por ambientes que combinem exclusividade e praticidade no dia a dia.

A exigência de áreas tão grandes para a construção de quadras oficiais limita a oferta de imóveis que possam oferecer esse tipo de infraestrutura. Em empreendimentos residenciais, a maioria dos terrenos disponíveis não ultrapassa 300 metros quadrados, o que torna a inclusão de quadras de tênis um privilégio de projetos específicos, geralmente localizados em bairros nobres ou em condomínios fechados com áreas comuns generosas. A decisão de incorporar esse espaço, segundo agentes do setor, está diretamente ligada ao perfil do comprador, que prioriza não apenas o tamanho do imóvel, mas também a qualidade das amenidades oferecidas.

A Forbes Brasil destacou que a construção de quadras oficiais — com medidas padronizadas de 23,77 metros de comprimento por 8,23 metros de largura — exige um planejamento rigoroso. Além do espaço físico, é necessário considerar a manutenção constante, que inclui iluminação adequada, revestimentos específicos e até mesmo sistemas de drenagem para evitar danos causados pela chuva. Esses custos adicionais, somados ao preço do terreno, elevam significativamente o valor final do empreendimento, restringindo o acesso a um público seleto.

Para quem já investiu nesses imóveis, a quadra de tênis se tornou um ativo valioso. Moradores relatam que o espaço não apenas atende à prática esportiva, mas também funciona como ponto de encontro para eventos sociais, reforçando o status do condomínio. Em condomínios de São Paulo e Rio de Janeiro, por exemplo, anúncios destacam a quadra como um dos principais diferenciais, mesmo que o uso seja eventual. A valorização do imóvel, segundo corretores, pode chegar a 15% a mais em empreendimentos que oferecem esse tipo de infraestrutura.

O fenômeno não se limita a grandes capitais. Em cidades médias com população de alto poder aquisitivo, como Campinas e Florianópolis, construtoras também têm adotado a estratégia. A justificativa é clara: em um mercado imobiliário cada vez mais competitivo, a oferta de lazer exclusivo pode ser o fator decisivo para a venda. No entanto, a restrição de espaço impõe limites. Em terrenos menores, as alternativas incluem quadras menores ou até mesmo áreas multiuso que possam ser adaptadas para a prática do esporte.

O setor ainda enfrenta desafios. A mão de obra especializada para manutenção de quadras de tênis é escassa, e o custo de instalação pode superar R$ 200 mil em projetos residenciais. Além disso, a burocracia para aprovação de projetos que incluem estruturas esportivas em condomínios é maior, exigindo alvarás específicos e vistorias periódicas. Mesmo assim, a tendência segue em alta, com construtoras investindo em designs inovadores para otimizar o espaço, como quadras suspensas ou em níveis diferentes dentro do condomínio.

O que começou como um capricho de poucos pode se tornar um novo padrão nos próximos anos. Se a demanda continuar crescendo, é possível que a inclusão de quadras de tênis em projetos residenciais deixe de ser um diferencial para se tornar um requisito básico em empreendimentos de luxo. Até lá, quem busca um imóvel com esse tipo de infraestrutura terá que pagar um preço alto — tanto financeiro quanto em termos de espaço disponível.